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Nem as bilhas de gás escapam aos ladrões

Em Alcobaça, já nem as botijas de gás escapam às garras dos ladrões. Os comerciantes andam assustados com uma série de assaltos na região e alguns até mudaram de hábitos. Deixaram de ter as bilhas à vista dos clientes e só abrem a porta do estabelecimento a pessoas conhecidas.

29 de janeiro de 2005 às 00:00

"É com muita pena, mas vou desistir do negócio porque tenho medo”, confessa Maria Cecília Laureano, 76 anos, uma das últimas vítimas dos assaltantes.

Proprietária de um pequeno mini-mercado, em Casal de Abegão, Évora de Alcobaça, a comerciante ficou sem sete botijas de gás na noite de anteontem. Os gatunos cortaram uma corrente, forçaram um cadeado e, “em poucos minutos”, carregaram as bilhas para “uma carrinha branca”, pondo-se em fuga.

Um quilómetro mais à frente, em direcção a Alcobaça, José Germano, sócio-gerente de um café com mini--mercado, deixou de ter o gás à vista. “Só de uma vez, levaram-me a grade inteira [nove botijas]. Se o tivesse à vista, era mais que ia”, diz o comerciante.

José Germano voltou a ser assaltado no fim-de-semana passado, por um indivíduo armado com uma faca, mas nem fez queixa à Polícia. “Era só perder tempo”, diz com resignação.

O facto é que, segundo António Rocha, responsável pela empresa de distribuição de gás na zona de Alcobaça, os furtos de botijas não têm parado um pouco por toda a região. “Há 15 dias levaram oito garrafas em Riba Fria”, diz o empresário. Recorda-se de casos em Pataias, Martingança e Alcobaça.

A GNR garante que está atenta a esta vaga de crimes, mas como só tem o registo de um furto de Alcobaça, considera a situação pontual. De acordo com um oficial do Destacamento das Caldas da Rainha, admite-se que este género de furtos possa ser cometido por imigrantes de Leste, para se aquecerem.

CRIMES PRATICADOS POR ENCOMENDA

'O BOTIJA'

Há dois anos, houve uma vaga de furtos na região de Alcobaça contra as garrafas de gás. A GNR veio a descobrir que os assaltos eram da autoria de um especialista neste tipo de furtos, que tinha a alcunha de ‘Botija’.

NEGÓCIO

As bilhas são vendidas ao público a 15 euros, a que acresce outro tanto pelo vasilhame. Por causa dos assaltos, a empresa distribuidora chega a colocar as garrafas à consignação, para ajudar os comerciantes.

ENCOMENDAS

As autoridades policiais admitem que alguns destes assaltos são levados a cabo por encomenda. Quando vão furtar as garrafas do gás, os assaltantes já têm receptadores à espera da mercadoria.

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