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Correio da Manhã

Portugal
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O EXTINTOR É UM BOMBEIRO

Há mais de 30 anos que José Monteiro, actualmente com 65 anos, está ligado ao mundo da prevenção, por força da sua profissão: técnico de segurança. Trata-se de uma ocupação essencialmente relacionada com planos de emergência, sinalização, extintores e o seu manuseamento.
8 de Fevereiro de 2004 às 00:00
José Monteiro, 65 anos
José Monteiro, 65 anos FOTO: Carlos Neves
Durante a sua vida profissional, este antigo bombeiro acompanhou de perto a evolução dos mecanismos de prevenção e combate aos incêndios, mas esclarece "que a formação do Homem é a melhor arma para se evitarem tragédias. Se as pessoas tiverem cuidado, então os extintores e os planos de evacuação deixam de fazer sentido".
Seja como for, entre a teoria e a realidade há um enorme fosso, pelo que a categoria profissional do nosso interlocutor faz cada vez mais sentido. "Embora por vezes não sejamos reconhecidos, a verdade é que a nossa profissão é de uma enorme responsabilidade. Somos nós que fazemos a instalação e a manutenção dos extintores e como tal será sempre sobre nós que cairá a responsabilidade de os ter operacionais. Em caso de um acidente com fogo é ao extintor que, em primeira instância, todos irão recorrer. Agora, imagine que eles não correspondem."
O trabalho de um técnico de segurança é diversificado. A escolha do local onde colocar um extintor, por exemplo, é uma das tarefas. "Após a escolha do extintor que satisfaça eficazmente a protecção do local pretendido, passa-se à sua implantação. Assim, os extintores devem ser colocados em suportes de parede ou montados em pequenos receptáculos, de modo a que o topo do extintor não fique a uma altura superior a metro e meio acima do solo."
INSPECCIONAR LOCAIS
O técnico adverte que os extintores devem estar em locais acessíveis e visíveis em caso de incêndio, sinalizados segundo as normas. "Devem estar localizados nas áreas de trabalho e ao longo dos percursos normais, incluindo as saídas. Os acessos aos extintores não devem estar obstruídos e estes não devem estar ocultos", explica José Monteiro.
Antes, contudo, este profissional tem a necessidade de visitar (inspeccionar) o local onde vai instalar os mecanismos de segurança por forma a efectuar o cálculo do número de extintores a colocar. "Para se determinar a quantidade de extintores necessários a cada caso, temos de considerar o risco existente na área a proteger, bem como a eficácia do extintor [depende do agente extintor e capacidade]."
Nesta análise ponderam-se três factores de risco: ligeiros (escritórios, escolas, igrejas, locais de reunião); ordinários (armazéns, parques de estacionamento, pequenas fábricas, armazéns de mercadorias, lojas de artigos escolares); graves (serrações, oficinas de automóveis e de manutenção de aviões, armazéns de combustíveis).
"Nestas visitas vamos quase sempre acompanhados pelos responsáveis pelos edifícios e nós, com a nossa experiência, vamos dando as nossas opiniões", revela José Monteiro, que nestas três décadas de actividade já teve oportunidade de obter formação profissional em Madrid e Marselha sobre protecção civil.
Munido destes conhecimentos, o técnico de segurança percorre depois alguns estabelecimentos de ensino, casas do povo e grandes unidades industriais do sul do país onde dá formação sobre o manuseamento de extintores e sobre planos de evacuação. "As pessoas têm de se convencer que o extintor é um amigo, um bombeiro, que está de serviço 24 horas por dia. Contudo, convém saber fazer uma correcta utilização dele", alerta.
A MANUTENÇÃO É ESSENCIAL
"Mantenha o extintor em perfeito estado de funcionamento mandando-o inspeccionar periodicamente, pelo menos uma vez por ano", aconselha José Monteiro. Este técnico de segurança sabe por experiência que nem sempre isso acontece, pelo que a fiscalização deveria ser mais apertada.
"Em escolas, por exemplo, os miúdos inadvertidamente abrem os extintores, e depois de isso acontecer só há uma solução: devolvê-lo para ser carregado. Acontece que os responsáveis por vezes esquecem-se deste procedimento por questões financeiras".
Esta regra básica pode fazer a diferença entre uma tragédia e um pequeno incidente. "Por vezes as pessoas só se lembram de Santa Bárbara quando se ouve a trovoada", refere.
BILHETE DE IDENTIDADE
Apesar da responsabilidade, os técnicos de segurança não estão englobados em nenhuma associação profissional específica, fazendo parte do ramo do comércio. Trata-se de um negócio como outro qualquer, cuja grande diferença está no produto transaccionado: segurança (extintores).
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