O presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA), coronel Manuel Cracel, garantiu esta quarta-feira que corrobora com as declarações do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, que alertou para os cortes na instituição militar.<br/>
O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA), general Luís Araújo, disse terça-feira, no final de uma audição à porta fechada dos quatro chefes militares na comissão de Defesa, sobre as Grandes Opções do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, que gostava de não ter de fazer mais cortes na instituição militar e advertiu que "há uma linha a partir da qual as Forças Armadas deixam de funcionar".
O CEMGFA sublinhou que o orçamento de funcionamento das Forças Armadas baixou 23% desde 2009 e que "não há dinheiro a mais" na instituição militar, manifestando-se "cansado de ouvir falar de racionalização em áreas onde não é possível fazê-lo".
Em declarações à Lusa, o presidente da AOFA, coronel Manuel Cracel, disse que a associação se revê nas afirmações do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas.
"Efetivamente que nos revemos inteiramente nas afirmações, até porque são informações que corroboram o que nós e todas as associações temos vindo insistentemente a afirmar. As Forças Armadas têm sofrido uma diminuição drástica nas despesas com o pessoal e com o funcionamento e manutenção", sublinhou.
Na opinião de Manuel Cracel, esta diminuição drástica está "abaixo dos limites mínimos para um bom funcionamento das missões".
O responsável disse não entender a insistência do ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, em reduzir as verbas nas Forças Armadas, que, na sua opinião, já "ultrapassou todos os limites".
O coronel diz que não entende porque é que o ministro da Defesa pede mais sacrifícios às Forças Armadas e advertiu que esta situação "retira a eficácia e os meios necessários para que a instituição militar cumpra as missões que a Constituição da República determina".
O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas deixou na terça-feira um alerta quanto à falta de investimento ao nível da lei de Programação Militar: "O Governo anterior cortou 40%, este cortou mais 20, são 60%, claro que não há investimento que não seja pagar os contratos que já estão feitos e nós precisamos, ainda, de requalificar, modernizar. Já não digo comprar".
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