O presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas recusou esta sexta-feira que a associação seja um "grupo de pressão" ou desenvolva uma actividade com objectivos políticos, defendendo que os oficiais apenas procuram "exercer influência" em benefício dos militares.
"Diríamos que nós não nos constituímos como um grupo de pressão, mas obviamente tentamos exercer influência sobre quem toma decisões que nós, em cada circunstância, consideramos se são as adequadas para os militares", disse à agência Lusa o presidente da Associação dos Oficiais das Forças Armadas (AOFA), Manuel Cracel.
O representante da AOFA reagia a uma notícia onde a associação militar foi incluída numa lista de "grupos de pressão" em Portugal no site da agência de serviços secretos norte-americana CIA.
Para o representante dos Oficiais das Forças Armadas, este "prémio com que a AOFA foi distinguida" pela CIA justifica-se pelo facto de a associação ter "no seu seio militares que ocuparam altos cargos e, como tal, são considerados".
Manuel Cracel considerou ainda outra hipótese como explicação: "Uma das razões tem a ver com a importância que as instituições de militares dos Estados Unidos da América (EUA) têm, e com a sua influência. É normal criarem-se 'lobbies' e estão instituídos, fazem parte das regras. Nos EUA as associações têm um peso enorme no tratamento dos assuntos que dizem respeito aos militares".
Apesar de considerar esta referência no site da CIA um 'fait divers', o presidente da AOFA afirmou que é o "reconhecimento que a associação tem vindo a desempenhar eficazmente o seu papel" e entende que as outras associações militares mereciam por parte da CIA o mesmo tratamento.
Manuel Cracel adiantou ainda que as três associações militares em Portugal foram contactadas pela embaixada dos EUA em Lisboa para um encontro, que ainda não aconteceu apenas por motivos de agenda.
"Respondemos positivamente a essa solicitação, no pressuposto de que não há mal nenhum em trocarmos informações. Não vamos expor algo que se intrometa com a soberania", disse.
Em declarações à agência Lusa, o líder da CGTP demarcou-se totalmente da Plataforma 15 de Outubro, da qual apenas reconhece como parceiro o movimento dos Precários Inflexíveis, com quem se vai reunir na segunda-feira "para trocar impressões e perspectivar formas de intervenção conjunta".
Para Arménio Carlos, incidentes como os ocorridos durante a paralisação do passado dia 22 – que a CGTP "condena" e aos quais garante ser totalmente alheia – apenas pretendem "desviar as atenções da opinião pública daquilo que são realmente os objectivos de uma greve geral".
"Há aqui uma manobra para tentar associar a luta dos trabalhadores em Portugal àquilo que se tem passado na Grécia e, mais uma vez, estamos a ser confrontados com uma desinformação orquestrada, porque na Grécia o que aconteceu não tem nada a ver com a luta dos trabalhadores ou do movimento sindical grego, foram sempre iniciativas organizadas por outras entidades, nalguns casos com infiltrados da polícia, para denegrirem a luta dos trabalhadores", sustentou.
Na sua opinião, haverá também em Portugal, "pelos vistos, quem esteja interessado – quer algumas organizações que promovem este tipo de iniciativas, quer a própria polícia ao intervir da forma como fez – em fazer o mesmo".
"Só sei que, no espaço de quatro meses, é a 2.ª vez que isto acontece e nós demarcamo-nos de forma muito objectiva deste tipo de incidentes que, ao invés de ajudarem a valorizar e divulgar os objectivos da luta dos trabalhadores, mais não visam do que desviar as atenções e procurar criar um clima de medo e de preocupação que leve à menor participação dos cidadãos em iniciativas futuras", acrescentou.
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