Entre as medidas propostas para solucionar as falhas estão a criação de uma linha única de ativação hospitalar, critérios de alerta amplamente disseminados, resposta em menos de três minutos e equipas treinadas com equipamentos normalizados e auditados.
Oito dos 33 hospitais com Equipa de Emergência Interna sob gestão de Medicina Intensiva têm falhas no sistema de emergência interna, nos critérios de alerta, comunicação e ativação, segundo um documento esta segunda-feira divulgado pela Direção Executiva do SNS.
Os dados constam de um inquérito realizado pelo grupo de trabalho que elaborou a proposta da nova Rede de Referenciação Hospitalar de Medicina Intensiva colocada esta segunda-feira em consulta pública pela Direção Executiva do SNS por um período de 14 dias.
Perante estes resultados, o grupo de trabalho propõe a implementação universal de três pilares: sistemas de deteção precoce e resposta à deterioração clínica, equipas de emergência interna lideradas por intensivistas e salas de emergência com gestão especializada e protocolos definidos.
Entre as medidas propostas estão a criação de uma linha única de ativação hospitalar (2222), critérios de alerta amplamente disseminados, resposta em menos de três minutos e equipas treinadas com equipamentos normalizados e auditados.
No Serviço de Urgência, os intensivistas devem assegurar avaliação imediata de doentes críticos, gestão do espaço e dos fluxos e encaminhamento rápido para o nível adequado de cuidados.
Com base no inquérito enviado aos 42 diretores de Serviços de Medicina Intensiva do SNS o grupo conclui que o SMI faz a Equipa de Emergência Interna em 85,7% dos casos e gere-a em 78,6%.
Em oito dos 33 hospitais, o sistema de emergência interna está insuficientemente implementado sobretudo nos critérios de alerta e nos mecanismos de comunicação e ativação.
A gestão e atividade dos SMI na Sala de Emergência é menos frequente do que na Equipa de Emergência Interna.
O SMI gere a Sala de Emergência em 47,6% dos casos e assegura a avaliação inicial de todos os doentes e a regulação de fluxos em 38,1%.
Segundo o documento, a presença da Medicina Intensiva na Sala de Emergência está mais consolidada nos hospitais da antiga ARS Norte onde apenas um em 12 não tem atividade nesta área e menos implementada em outras regiões.
O documento refere ainda que a doença crítica pode originar sequelas após a alta da unidade de cuidados intensivos para a enfermaria.
Em 2010 a Society of Critical Care Medicine definiu a Síndrome Pós-Internamento em Cuidados Intensivos como o aparecimento ou agravamento de incapacidades físicas cognitivas ou mentais após a alta hospitalar.
A incidência é estimada entre 40% e 50% dos sobreviventes de doença crítica sendo identificados 60 fatores de risco metade dos quais relacionados com o doente e metade com a unidade de cuidados intensivos e potencialmente modificáveis.
O documento refere que os SMI têm a missão de reduzir esta síndrome e garantir a sua identificação avaliação e tratamento durante e após o internamento.
Em Portugal estes processos estão em expansão com 78,6% dos SMI a realizar consulta de follow-up intra-hospitalar e 85,7% consulta externa.
Ainda assim o grupo considera que a atividade de 'follow-up' fora de portas continua incompleta em cerca de 69% dos serviços.
O grupo defende o reforço das consultas de 'follow-up' intra e extra-hospitalares como forma de reduzir sequelas a longo prazo e melhorar a reintegração familiar e social dos sobreviventes de doença crítica.
Para o grupo de trabalho, "urge criar as condições e incentivar a implementação da gestão e operação da Equipa de Emergência Interna e da Sala de Emergência por equipas de Medicina Intensiva, a bem da melhoria do acesso, estratificação de cuidados, definição de fluxos, ausência de dívida de cuidados, reforço de segurança do doente, promoção de equidade e, com base em tudo isto, melhoria do resultado clínico final".
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