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Correio da Manhã

Portugal
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Ordem dos Médicos pede intervenção do Ministério Público no caso da clínica de 'bebé sem rosto'

Em declarações na OM, o bastonário reconheceu que a situação "pode configurar um crime".
Lusa 30 de Outubro de 2019 às 13:52
Miguel Guimarães
Mãe de Rodrigo foi acompanhada pelo médico Artur Carvalho na clínica Ecosado, em Setúbal
Miguel Guimarães
Mãe de Rodrigo foi acompanhada pelo médico Artur Carvalho na clínica Ecosado, em Setúbal
Miguel Guimarães
Mãe de Rodrigo foi acompanhada pelo médico Artur Carvalho na clínica Ecosado, em Setúbal
A Ordem dos Médicos (OM) pediu esta quarta-feira a intervenção do Ministério Público para averiguar a questão da clínica que realizou ecografias à mãe do bebé que nasceu com malformações graves e que afinal não tinha convenção com o Estado.

O bastonário da OM, Miguel Guimarães, que esteve esta quarta-feira reunido com responsáveis da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, indicou que há no caso da clínica Ecosado "matéria que é complicada e que merece intervenção do Ministério Público".

A mãe do bebé que nasceu com malformações graves em Setúbal era seguida no centro de saúde e realizou as ecografias na Ecosado através de credenciais passadas pelo SNS, mas afinal a clínica não tinha qualquer convenção com o Estado.

Por esclarecer está ainda a questão de como e a quem o SNS pagou por esses exames.

Em declarações aos jornalistas esta quarta-feira na Ordem dos Médicos, o bastonário reconheceu que a situação "pode configurar um crime".

Segundo o bastonário, o Ministério Público já está a ser informado da situação através da Administração Regional de Saúde, que tem em curso um inquérito interno.

"Infelizmente este caso, que nunca deveria ter acontecido, não é apenas um caso de más práticas. É um caso em que há uma falência do que é o controlo daquilo que é feito no sistema de saúde e exige de todos nós, as entidades dependentes do Ministério da Saúde, o regulador e as ordens profissionais, termos um momento zero em que muita coisa deve ser avaliada", afirmou Miguel Guimarães.
"Acho que esta investigação [da ARS] não vai ser suficiente e é importante a intervenção do Ministério Público", insistiu.

Indicando que desconhece os contornos da situação que envolvem a clínica Ecosado, o bastonário colocou a possibilidade de haver uma "clínica maior que esteja a fazer subcontratação com outras clínicas mais pequenas".

"Se estiver a ser feito, isso é ilegal", afirmou.
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