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Padre dava aos utentes remédios fora de prazo

Padre Baptista responde por 13 crimes de maus-tratos e um de ofensa à integridade física.

13 de novembro de 2016 às 09:39

O Tribunal de Penafiel começa amanhã a julgar o padre Baptista, antigo direitos da Obra do Calvário, em Beire, Paredes. O arguido, de 85 anos, está acusado de 13 crimes de maus-tratos e de um de ofensa à integridade física perpetrados sobre utentes.

Diretor durante mais de 60 anos da instituição que acolhe doentes e deficientes físicos e mentais, incluindo idosos e crianças, o padre responde por, entre agosto de 2006 e maio de 2015, segundo o Ministério Público, ter agredido os utentes, "desferindo-lhes bofetadas ou pancadas com bengala, privando-os de alimentos, fechando-os em quartos, locais de arrumos ou num buraco destinado a silo de cereais". Também os amarrava às varandas, cadeiras de rodas ou cadeiras sanitárias, além de os medicar sem ter formação para tal e recorrendo a remédios fora de prazo.

Na acusação, são vários os relatos da violência levada a cabo pelo idoso, como forma de castigar os utentes por "comportamentos que não eram do seu agrado" ou por fumarem. Negava-se a levá-los ao hospital quando se magoavam ou queriam tratar as feridas derivadas dos maus-tratos de que eram alvo. Tratava ele mesmo da suturação ou da administração de medicação, sem ter "qualquer habilitação legal profissional".

Ainda segundo a acusação do Ministério Público, o arguido tinha "intenção de provocar lesões corporais, dores e sofrimento emocional aos utentes". O padre Baptista deixou a instituição há cerca de dois anos.

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