Sofia Garcia
JornalistaOs pais das vítimas da noite fatídica no Meco são ouvidos esta quinta-feira no tribunal de Setúbal. As audições começaram esta quarta-feira.
Nesta última audição dos familiares das vítimas são ouvidos os pais de Pedro Negrão e a mãe de Carina Sanchez.
As famílias dos seis jovens que morreram na praia do Meco, em 2013, reclamam indemnizações no valor global de 1,3 milhão de euros e pedem responsabilidades do que aconteceu naquela noite a João Gouveia e à Universidade Lusófona.
Início da sessão
São ouvidos hoje, em tribunal, os pais de Pedro Negrão e a mãe de Carina Sanchez.
Pedro Tito negrão, 24 anos, foi o último corpo a ser resgatado do mar do Meco, a 27 de Dezembro de 2013, ou seja, 13 dias após a tragédia.
"Em novembro começou a andar muito ansioso, muito nervoso", refere a mãe de Pedro
Sessão começa com a intervenção de Maria de Fátima Tito Negrão, mãe de Pedro Negrão, que frequentava o curso de Gestão de Empresas desde 2010.
Pedro vivia com os pais em Lisboa e na altura da noite fatídica faltava-lhe uma cadeira para terminar o curso e aguardava o resultado de um exame que tinha feito em novembro.
A mãe conta que Pedro "esteve em Erasmus em Barcelona um semestre, até janeiro de 2013, por isso, esteve ausente de Lisboa. Quando voltou foi eleito representante do curso e começou a andar mais com a comissão de praxe. Em novembro começou a andar muito ansioso, muito nervoso".
"Até comentei com ele que não percebi o porquê de andar assim porque já estava a terminar o curso, só faltava uma cadeira e fazia um part-time", refere Maria de Fátima.
Mãe relembra que Pedro mudou de atitude quando entrou para a comissão de praxe
A mãe recorda que houve um fim de semana que Pedro estava tão cansado que chegou a casa vestiu o pijama e disse "não contem comigo para nada e não saiu de casa o fim de semana todo".
"Em fevereiro de 2013 até faltou ao aniversário da madrinha, pela primeira vez na vida, só para ir trajado com a comissão de praxe. Até fiquei muito chateada com ele e questionei porquê que ele não podia faltar às atividades da universidade. Não compreendia o porquê de algumas atitudes", refere a mãe de Pedro.
Maria de Fátima desabafa: "às vezes em refeições chamei-o à atenção por ele estar tão ausente porque já nem estudava para terminar as cadeiras do curso. Andava sempre de um lado para o outro com a comissão de praxe e não o via a estudar".
Pedro trabalhava no BPI em part-time desde março de 2013 para pagar a universidade. Nos anos anteriores trabalhava num call center em part-time para pagar despesas.
"Fiquei preocupada com o nervosismo dele" antes de ir para o Meco, diz mãe de Pedro Negrão
Maria de Fátima explica que sabia que ele ia para o Meco naquele fim de semana mas Pedro dó disse que era a nível da universidade.
Pedro foi trajado para o Meco. A mãe refere que ficou preocupada com o nervosismo do filho antes de sair de casa.
"Às 19h47 e 47 segundos de sábado liguei para o meu filho porque estava preocupada com a maneira nervosa como o vi sair de casa. Numa situação normal eu nem ligaria mas eu fiquei cismada com o olhar dele. Ele atendeu logo e só respondia que estava tudo bem. Não ouvi barulho nenhum o que era estranho se estava supostamente com mais pessoas. Ele atendeu de imediato", explica Maria de Fátima.
Mãe de Pedro diz que não queria que o filho fosse para a Lusófona, mas sim para uma faculdade pública. No entanto Pedro queria mesmo a Lusófona e sugeriu que os pais pagassem a propina como se fosse uma pública e que ele completaria a mensalidade com o ordenado dele.
"Ele era responsável nos estudos e por isso eu não intervinha nem questionava muito", diz pai de Pedro Negrão
O pai de Pedro Negrão é ouvido em tribunal por videoconferência porque vive me Inglaterra.
"Nunca segui muito essa parte académica de praxes, etc. Nunca fui muito por isso só lhe dizia tem cuidado porque por vezes nessas situações há problemas", disse o pai da vítima.
"Sabia que era representante do curso de gestão mas não sabia o que isso significava. Ele era responsável nos estudos e por isso eu não intervinha nem questionava muito", conclui.
"Na noite do acidente ele estava a falar com a mãe num silêncio profundo, numa casa com sete jovens e estava a falar em silêncio?! Achámos muito estranho", diz o pai da vítima.
Pedro negrão foi buscar João Gouveia à Lusófona para lhe dar boleia para o fim de semana mortal.
Seis ou mais pessoas na noite da tragédia do Meco? Mãe de Carina diz que filha comprou comida para onze
A mãe de Carina Sanchez é a próxima familiar a ser ouvida no tribunal.
Carina, que tinha completado 23 anos em novembro, concorreu a Dux no ano anterior à morte mas ganhou o João Gouveia.
Sobre o fim de semana a mãe conta uma conversa com a jovem: "Lembro-me de ela dizer que ia para um fim de semana académico". "Carina, mas isso nunca mais acaba?", disse a mãe. A jovem respondeu, "mãe não te preocupes que este é o último ano e vou passar a pasta a outro"
"Eu tinha muita confiança nela por isso nunca procurei saber a fundo o que era um fim de semana académico", diz Maria Assunção Horta.
Maria Assunção conta que a jovem partiu para o Meco à boleia de Pedro Negrão, onde também seguia João Gouveia. "Foram comprar comida. Isso sei", diz a mãe da jovem e acrescenta "foram ao talho do padrasto da Carina para comprar carne. Pediu ao padrasto para arranjar carne para 11 pessoas. Foi levantar a carne, disse que depois fazia contas com os colegas, o que nunca chegou a acontecer, claro".
"A minha filha era muito boa": Mãe de Carina emociona-se ao recordar a jovem
"Eu não dava um cêntimo à minha filha a não ser pagar a faculdade e o passe", diz a mãe de Carina.
Carina trabalhava no estúdio de fotografia da universidade e aos fins-de-semana num restaurante ao lado do talho do pai. Foi sexta-feira para o Meco mas no sábado foi trabalhar para o restaurante a fazer os almoços e voltou.
Mãe lembra que se a filha fosse viva tinha 30 anos. Era a filha do meio, tinha mais duas irmãs.
Maria assunção emociona-se ao recordar a filha: "A minha filha era muito boa". "A faculdade sabe perfeitamente as horas que lhe pagavam no que trabalhava no laboratório de fotografia. A faculdade sabia de tudo. Lembro-me que duas professoras me agarraram no velório e me disseram: por ela ser tão boa é que estava no cargo que estava".
Questionado se Carina era responsável ou se costuma colocar-se em situações de risco a mãe responde que a filha era "muito responsável e cuidadosa".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.