Judiciária não desiste de encontrar os corpos das três vítimas do serial killer. Casa cheia de divisões secretas impressiona PJ. Cunhado diz que <br/>não sabe dos cadáveres.
Francisco Leitão foi acordado pelas 03h00 de terça-feira da semana passada com os inspectores da Polícia Judiciária a irromper pelo seu ‘castelo’ na Carqueja, Lourinhã. Foi interrogado e a sua casa passada a pente-fino. Mas o que a polícia não sabia era que a casa estava completamente 'armadilhada' com paredes e tectos falsos onde podiam estar qualquer um dos corpos das três vítimas do serial killer: Tânia Ramos, Ivo Delgado e Joana Correia. Pior: uma das paredes do castelo dá acesso directo para uma fossa. Foi meticulosamente inspeccionada, mas os cadáveres das vítimas não estavam lá. Francisco Leitão assistiu a tudo e mesmo depois de ver que tinha sido ‘caçado’ pelos inspectores não abriu a boca quanto ao local onde os corpos estão depositados.
'Conhecia as três pessoas uma vez que frequentavam a casa, mas não sabia que tinham sido mortos', admitiu ontem à tarde ao CM Nélson, cunhado do serial killer, enquanto fazia arrumações no ‘castelo’ do ‘rei dos gnomos’. 'Eu conheci a Tânia porque ela vinha ter com o Luís, mas vi-a poucas vezes. O Ivo viveu connosco e a Tânia era muito ajudada pelo Francisco', disse ainda, referindo--se às alegadas agressões de que a jovem era alvo pelo ex-marido. Nélson ainda não visitou o cunhado. 'Não vou visita-lo. Se ele for culpado espero que se faça justiça, mas se ele for inocente como continua a dizer tem todo o meu apoio', salientou. Questionado sobre os vídeos em que aparece na internet, Nélson diz apenas que foi uma brincadeira. 'Não posso negar que estava nos vídeos, mas não sabia que eles iam correr o mundo, porque fizemos na brincadeira. Nunca pensei em tal coisa. Quanto aos vídeos com menores não sabia de nada. Correram por toda a gente, mas quando os vi já tinham feito queixa à GNR', disse.
A irmã do serial killer, Dina Leitão, é a única que já foi visitar o homicida, mas recusa-se a falar com o nosso jornal.
'ELE PODE SER O CÚMPLICE'
Nélson não descarta a hipótese de que o cunhado possa ter assassinado os três jovens. No entanto, diz que conhece muito bem o ‘rei dos gnomos’ e acha que é incapaz de matar. 'Ele pode ser assassino e eu nunca ter dado conta de tal, porque ele fazia a vida dele e eu a minha, apesar de vivermos na mesma vivenda. Mas acredito mais que ele pode saber quem matou e ser apenas o cúmplice. Pode estar a encobrir alguém', considerou. 'Ele é uma pessoa que quando via sangue fugia logo. Não sei como foi capaz de matar três pessoas e ninguém ter dado por isso', acrescentou.
O cunhado de Francisco Leitão diz ainda que nunca deu conta pela falta do carro do homicida – um Audi A4 –, que está agora nas instalações da Polícia Judiciária para a recolha de indícios que possam dar pistas quanto ao paradeiro dos corpos de Tânia Ramos, Ivo Delgado e Joana Correia.
'GNOMOS' SÃO CHAVE PARA MISTÉRIO
Os vários jovens que frequentavam a casa e que ainda marcam presença no castelo do rei ‘Ghob’ são fundamentais para o prosseguimento da investigação. Para além de vários elementos da família de Francisco Leitão, incluindo os irmãos e cunhados, todos os jovens foram ouvidos pela Polícia Judiciária: Daniel, que aparece em vários vídeos; Luís, namorado de Joana, por quem o ‘rei dos gnomos’ se sentia atraído, razão pela qual matou a sua última vítima de 16 anos; e outros rapazes e raparigas que estavam frequentemente com o serial killer e em festas no ‘castelo’. Todos eles são, no entanto, unânimes: não sabem dos corpos das três vítimas.
COMUNICATIVO E A RECLAMAR INOCÊNCIA
Francisco Leitão, o ‘rei dos gnomos’, está em prisão preventiva desde a semana passada no Estabelecimento Prisional anexo às instalações da Polícia Judiciária, em Lisboa. Encontra-se isolado dos restantes detidos mas, ao que o CM apurou junto de fonte policial, está no mesmo corredor que Mário Machado, o líder dos Hammerskin em Portugal. O rei ‘Ghob’ mantém-se extremamente comunicativo para com guardas e polícias, fala de tudo e mantém a versão da sua inocência. Não se entretém a ouvir música ou ver TV. Recebeu apenas a visita da irmã, que vive no ‘castelo’. Os outros dois irmãos ainda não se deslocaram à prisão.
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