Em causa está um crime de desobediência, considerando que não enviou ao parlamento os documentos devidos.
1 / 2
A comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos vai fazer queixa contra a Associação Coleção Berardo no Ministério Público por crime de desobediência, considerando que não enviou ao parlamento os documentos devidos, disse esta segunda-feira o presidente da comissão.
"Nós só podemos avaliar o papel desempenhado pelos responsáveis da CGD e nesse sentido não há dúvida de que a informação é devida à comissão, o argumento de que [essa informação] não tem a ver com o objeto da comissão não colhe. Vamos participar ao Ministério Público porque há aqui um crime de desobediência com argumentos que não são acolhíveis da nossa parte", disse à Lusa o presidente da comissão de inquérito, Luís Leite Ramos.
O deputado do PSD disse que a Associação Coleção Berardo enviou alguma da documentação pedida pelos deputados, como atuais estatutos e algumas atas de assembleias-gerais e listagem de participantes, mas que outros não enviou tendo argumentado considerar que não se integram no objeto da comissão e que a associação é uma entidade privada em que a comissão parlamentar não tem de se imiscuir.
Segundo Luís Leite Ramos, o objetivo da comissão de inquérito não é imiscuir-se na associação, mas perceber se a Caixa Geral de Depósitos (CGD) fez tudo o que podia para cobrar a penhora sobre a associação.
"A nossa preocupação é perceber se a Caixa fez tudo o que tinha a fazer para acompanhar garantias e executar este processo, o que conseguimos só sabendo o que se passou na associação, na alteração de estatutos, no aumento de capital, se as convocatórias foram enviadas para a Caixa. O nosso foco é a CGD e avaliar todas as 'démarches' feitas", afirmou.
A queixa para o Ministério Público deverá seguir ainda esta semana ou no princípio da próxima, junto com a transcrição da audição a Berardo, dando seguimento ao que tinha sido aprovado na comissão em 19 de junho.
Então, os deputados da comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD aprovaram por unanimidade a comunicação ao Ministério Público caso a Associação Coleção Berardo não enviasse os documentos a tempo.
A Associação Coleção Berardo é a dona da coleção de arte exposta na Fundação Coleção Berardo, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.
Ainda nas declarações hoje à Lusa, o presidente da comissão parlamentar de inquérito à CGD falou sobre as críticas de Berardo à gravação e transmissão da sua audição em maio, no parlamento, que o empresário afirmou ser uma violação dos seus direitos, repetidas esta segunda-feira, tendo o deputado considerado estranho que Berardo queira agora proteger a sua imagem quando a imprensa fez parte da construção da sua carreira e imagem pública.
As críticas de Berardo à gravação e transmissão da sua audição pelo Canal Parlamento foram novamente expostas esta segunda-feira, numa carta aberta ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, em que o empresário garantiu que já pagou, quase só em juros, cerca de 231 milhões de euros à banca a "troco de nada", rejeitando a ideia de ter ficado "com muitos milhões" dos portugueses, e considerou que após a sua audição na comissão de inquérito (em 10 de maio) está a ser alvo de um ataque reputacional.
"E como se não bastasse o ataque ao meu património, tenho agora que defender-me do ataque ao meu bom nome", vincou numa carta com cinco páginas, em que considera que foram violados os seus direitos fundamentais na audição na comissão parlamentar de inquérito à CGD em 10 de maio.
Em causa está o facto de o presidente da comissão parlamentar ter acedido ao seu pedido e ter mandado sair da sala as televisões e as rádios, mas ter mantido a gravação e transmissão em direto pelo Canal Parlamento, acabando a audição por ser transmitida por várias estações, usando essas imagens e áudio.
Para Berardo, a divulgação das imagens causou danos à sua honra pessoal, e faz com que a sua posição em vários processos judiciais que lhe foram movidos "dificilmente possa vir a ser apreciada com o necessário distanciamento", uma vez que os tribunais, "ainda que inconscientemente, não são imunes aos efeitos da opinião pública".
O presidente da Comissão de Inquérito à CGD, Luís Leite Ramos, disse à Lusa que mantém os argumentos que usou então para aceitar a transmissão da audição pelo Canal Parlamento, apesar de este ter pedido que não acontecesse, justificando desde logo com pelo interesse público daquela audição e pelo tratamento igualitário dado a todos os que foram depor àquela comissão.
Além disso, afirmou, é estranho que Berardo fizesse esse pedido quando construiu parte da carreira assente na comunicação social.
"O bom senso diz-me que alguém que não evitou nunca os meios de comunicação social e usou a exposição mediática para conseguir a sua imagem e carreira venha invocar esse direito para não falar e que não fosse visto o que estava a dizer ao parlamento", disse o deputado do PSD.
As audições da comissão de inquérito à CGD já terminaram, tendo o relatório de ser entregue até 15 de julho (o deputado-relator é João Almeida, do CDS-PP), sendo depois discutido e votado em comissão, o que deverá acontecer a 17 ou 18 de julho, de modo a o relatório final ser discutido no último plenário deste ano parlamentar, marcado para 19 de julho.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.