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“Passamos a ponte com medo”

A Agência Portuguesa para o Ambiente diz que o "risco é iminente para a segurança de pessoas e bens". A Estradas de Portugal, empresa responsável pelas infra-estruturas rodoviárias, reconhece o "processo de degradação" da ponte de Chamadouro, que liga concelhos de Mortágua e Santa Comba Dão no IP3, mas garante que "não há perigo de colapso iminente".

28 de setembro de 2011 às 01:00

Na dúvida, são cada vez mais os que defendem o encerramento da travessia. "Passo lá sempre a medo. Muita gente passa a ponte a medo", diz José Rui, presidente da freguesia de Óvoa (Santa Comba Dão).

Os moradores da freguesia onde foi construída a ponte nos finais da década de 1970 dividem-se quanto às medidas a tomar. José Santos, gerente comercial, de 53 anos, entende que o trânsito "devia fechar a pesados", uma parte significativa dos 20 mil veículos que todos os dias atravessam a via. Isto apesar de reconhecer que as alternativas, nomeadamente por Mortágua, são piores. António Ribeiro, empresário da construção civil, de 41 anos, defende o fecho total: "Se há dúvidas, o melhor é cortar o trânsito. Pior do que isso é se lá for a passar uma família e morrerem todos."

José Rui, de 61 anos, há seis a presidir à freguesia de Óvoa, reconhece que o encerramento "traria graves problemas ao comércio", embora defenda, em primeiro lugar, a segurança. O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, João Lourenço, também afirma que "seria preferível encerrá-la a arriscar", isto apesar de ambos admitirem que as alternativas comportariam algumas dificuldades.

A ponte, alvo de obras de manutenção há um ano, está a ser monitorizada por telemetria pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que afirma que o "risco de ruir é considerável", não sendo possível determinar o momento do seu encerramento ao trânsito. O Governo garante que "se houver algum problema o Estado intervirá".

"SE FECHAR SERÁ UMA CATÁSTROFE E VAI HAVER DESEMPREGO"

"Se a ponte fechar será uma catástrofe", diz Vítor Vitorino, sócio-gerente do restaurante Lampreia, na área de serviço de Chamadouro, lembrando que no Verão em que fechou, em 2010, por causa da obras, perdeu "250 mil euros". O empresário, de 31 anos, reconhece que "a segurança está primeiro", mas adianta que os trabalhos de manutenção eram para garantir a travessia "por três anos". Vítor Vitorino diz que, se o encerramento acontecer, "então em risco 35 empregos na área de serviço".

AUTO-ESTRADA SERIA A MELHOR ALTERNATIVA

Para acelerar a construção da nova ponte de Chamadouro, ao lado da actual, o projecto foi dispensado do estudo de avaliação de impacte ambiental, conforme um despacho governamental publicado sexta-feira em Diário da República e que o CM revelou ontem. Para Afonso Abrantes, presidente da Câmara de Mortágua, "este seria o momento indicado" para o Governo encarar "a urgência da construção de uma auto-estrada entre Coimbra e Viseu", como alternativa ao IP3.

DISCURSO DIRECTO

"QUANDO O LNEC DISSER EU FECHO": Sérgio Monteiro, Sec. Estado das Obras Públicas

Correio da Manhã – Como é possível que uma ponte que está em risco de cair continue aberta?

Sérgio Monteiro – Não é necessário fechar a ponte agora. O LNEC está a realizar uma telemetria permanente ao segundo. Quando o LNEC disser que há perigo de derrocada, eu fecho a ponte na hora.

– Como é possível chegar-se a este ponto?

– A questão da ponte de Chamadouro já foi discutida pelo anterior Governo, em 2009, mas não se fez nada. A verdade é que a Estradas de Portugal está a deixar para trás o que é essencial, que é a manutenção das estradas e viadutos

– O que se vai fazer então com a Estradas de Portugal?

– Temos de mudar o modelo de financiamento. A Estradas de Portugal não tem dinheiro para assumir os compromissos assumidos, porque o seu financiamento foi desvirtuado quando assumiu o pagamento das Scut.

– E as obras da nova ponte?

– O concurso abre de imediato. Vai custar 18 milhões de euros e as obras vão durar 900 dias.

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