Ex-vice-presidente da Câmara de Gaia encontra-se, desde 19 de maio, em prisão preventiva no âmbito da Operação Babel.
O ex-vice-presidente da Câmara de Gaia e ex-líder do PS/Gaia, que renunciou aos cargos após ficar em prisão preventiva no âmbito da Operação Babel, assumiu que este processo judicial destruiu o seu "sonho" de assumir a liderança desta autarquia.
"Na política nunca se deve dizer nunca, mas acredito que a minha vida política acabou, este processo [Operação Babel] destruiu o "Patrocínio político", impediu-me de concretizar um dos meus maiores sonhos, ser presidente da Câmara de Gaia, não guardo rancor, nem ressentimentos, apenas tristeza", referiu Patrocínio Azevedo numa carta dirigida aos militantes do PS/Gaia e a que a Lusa teve hoje acesso.
Dizendo que o PS/Gaia é uma das maiores concelhias socialistas, Patrocínio Azevedo, a aguardar julgamento na prisão de Custóias, em Matosinhos, no distrito do Porto, pede aos militantes para se manterem "unidos, coesos e determinados" nos objetivos para vencer em 2025 a câmara e as freguesias do concelho.
Patrocínio Azevedo encontra-se, desde 19 de maio, em prisão preventiva no âmbito da Operação Babel por determinação do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto.
Apesar de ficar em prisão preventiva, o antigo vice-presidente não renunciou de imediato ao mandato, tendo-o feito apenas nesta segunda-feira.
Este processo principal da Operação Babel centra-se "na viciação de normas e instrução de processos de licenciamento urbanístico em favor de promotores associados a projetos de elevada densidade e magnitude, estando em causa interesses imobiliários na ordem dos 300 milhões de euros, mediante a oferta e aceitação de contrapartidas de cariz pecuniário".
O antigo vice-presidente pede aos socialistas daquela concelhia que continuem o trabalho porque existem condições políticas para darem continuidade ao compromisso: "Gaia, compromisso, presente e futuro".
Reafirmando a sua inocência, o socialista ressalvou que a sua renúncia não é a assunção de qualquer culpa neste processo, "mas sim a consciência que politicamente fragilizado não posso, nem devo, fragilizar o PS/Gaia", sublinhou.
E acrescentou: "Tenho consciência absoluta de que provarei a minha inocência, mas que isso só ocorrerá daqui a muitos meses ou anos, por isso, e após o julgamento na comunicação social, em que os factos não interessam, o que apenas interessa é 'condenar' os políticos e os autarcas, não tenho condições para liderar o PS Gaia".
O ex-presidente da concelhia garantiu não ter feito nada que prejudicasse o município, não tendo recebido qualquer vantagem pessoal nos licenciamentos em causa no processo ou outros quaisquer.
"Podem ter a certeza de que nunca solicitei nem recebi qualquer pagamento para decidir contra os deveres do cargo e contra o interesse público", frisou.
O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues (PS), anunciou a 22 de maio, em reunião do executivo municipal, que a vice-presidência passaria a ser assegurada pela vereadora Marina Mendes, responsável pelos pelouros da Educação e Ação Social.
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