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Pena suspensa para homem que empurrou mulher de ravina por recusar cigarro

Arguido ainda terá de pagar uma indemnização de dois mil euros ao Hospital de São Sebastião.

02 de março de 2018 às 13:04

O Tribunal de Santa Maria da Feira condenou esta sexta-feira a cinco anos de prisão, com pena suspensa, um homem de 34 anos por ter empurrado para uma ravina uma mulher que acabou por morrer.

O coletivo de juízes deu como provado o crime de ofensa à integridade física agravada pelo resultado, de que o arguido estava acusado, mas absolveu-o do crime de omissão de auxílio.

Durante a leitura do acórdão, o juiz presidente disse que não foi dado como provado que a vítima tenha perdido a consciência mal bateu com a cabeça na pedra e que o arguido se tenha apercebido que a mesma carecia de assistência médica urgente, como constava na acusação do Ministério Público (MP).

O coletivo de juízes teve ainda em conta a versão do arguido, que alegou ter sido inicialmente agredido pela vítima, mas referiu que aquele "maniatou a ofendida para cessar a agressão", passando depois "ao ataque, empurrando a senhora para a erva".

Além da pena de prisão, o arguido terá de pagar uma indemnização de cerca de dois mil euros ao Hospital de São Sebastião, pelas despesas efetuadas com o tratamento hospitalar à ofendida.

O arguido, que se encontrava sujeito à medida de coação de permanência na habitação, com recurso a vigilância eletrónica, saiu em liberdade do tribunal, ficando apenas com o Termo de Identidade e Residência.

Durante o julgamento, o arguido disse que não teve de intenção de magoar a vítima. "Nunca pensei que lhe pudesse causar ferimentos ou a morte. Aquilo foi tão rápido. Se fosse hoje não fazia o mesmo. Ia-me embora", disse, admitindo que agiu "de cabeça quente", depois de a vítima o ter insultado e lhe ter batido.

Os factos remontam ao dia 10 de abril de 2017, quando o arguido se encontrava com um grupo de amigos nas traseiras do edifício onde a vítima residia, na Rua das Ribeiras do Cáster, em Santa Maria da Feira.

Segundo a acusação do MP, a mulher desceu à rua para dar um cigarro à sua sobrinha e foi abordada pelo arguido que também lhe pediu um cigarro, mas esta recusou, começando a agredi-lo com pontapés e socos nas costas.

O arguido arrastou depois a mulher contra a sua vontade durante cerca de 15 metros até um terreno baldio e empurrou-a para uma ravina com um declive com cerca de 1,40 metros de altura.

A mulher caiu desamparada batendo com a cabeça numa pedra e perdeu os sentidos, refere a acusação, dando conta que a mulher tinha 4,8 gramas de álcool por litro de sangue, e por via disso estava com "o equilíbrio diminuído e sem capacidade de reação".

A vítima foi transportada para o Centro Hospitalar do Entre Douro e Vouga, onde veio a morrer dois dias depois, em consequência das lesões sofridas.

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