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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

"Pensei que tudo isto ia explodir"

Moradores da aldeia de Cachão já tinham alertado para a suposta falta de condições da empresa de plásticos. Polícia Judiciária investiga fogo aparatoso.

26 de setembro de 2013 às 01:00

Há muito tempo que os moradores da localidade de Cachão, em Mirandela, reclamavam o facto de no antigo complexo agroindustrial – antiga estrutura de relevância a nível nacional e atual Agroindustrial do Nordeste – estarem a funcionar armazéns de plásticos. Anteontem à noite, o pior aconteceu. Um aparatoso incêndio deflagrou no interior de um desses espaços, provocando o pânico.

"Foi assustador. Esta fábrica é como se fosse pólvora", referiu Catarina Moreira, funcionária de um dos armazéns contíguos. No combate, estiveram mais de cem bombeiros. A prioridade foi proteger as outras firmas do complexo.

"O armazém cheira muito mal. Ainda vamos morrer aqui todos. Ontem [anteontem], pensei que tudo isto ia explodir e eu ia pelo ar", disse Teresa Teixeira. "O cheiro é nauseabundo. Às vezes não podemos com as dores de cabeça", afirmou José Carlos, outro morador.

Durante a tarde de ontem, foi organizada mais uma manifestação – para pedir que sejam retiradas as empresas de plásticos. "A população tentou alertar para a situação gravíssima. O incêndio é um resultado vergonhoso", frisou Pedro Fonseca.

O incêndio, investigado pela PJ – administradores do complexo falam em fogo posto – e que destruiu todo o armazém, deflagrou às 21h10. Foi dominado às 06h10. O CM tentou, sem sucesso, falar com a empresa.

O Complexo de Cachão, criado nos anos 60 com um forte investimento, chegou a empregar milhares. Atualmente tem pouco mais de 100 trabalhadores.

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