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PILOTO EVITA ACIDENTE NA PORTELA

Um Airbus A 321 proveniente de Faro, no voo 1902 da TAP, com destino a Lisboa e com 101 pessoas a bordo, esteve, em 27 de Dezembro do ano passado, muito perto de um acidente quando tentou a aterragem no Aeroporto da Portela, em Lisboa.

24 de janeiro de 2003 às 00:00

Por duas vezes o comandante tentou a aterragem e em ambas as circunstâncias o aparelho foi sacudido por fortes rajadas de vento que quase o atiraram contra o asfalto, segundo imagens colhidas por um vídeo amador e ontem transmitidas pela SIC. Valeu então a qualificação do piloto que, face à abortagem das duas manobras de aproximação à pista, optou pelo regresso a Faro.

“O avião chegou mesmo a tocar na pista mas o vento variou bruscamente de direcção e de intensidade, passando dos 36 km/h para 63 km/h e o comandante decidiu interromper a aterragem e retornar a Faro, porque não seria aconselhável uma terceira vez. Foi a decisão mais acertada”, considerou o comandante Carlos Nunes, chefe do Gabinete de Segurança de Voo da TAP.

Paula Martins, uma das passageiras daquele voo, recordou à SIC que “estava bastante vento e na altura assustei-me um pouco. Mas só ao ver as imagens é que me apercebi do que realmente aconteceu”.

Ontem, em Bruxelas, as referidas imagens foram analisadas num encontro de representantes dos 31 milpilotos europeus. A agenda da reunião contemplava a análise da intenção da Comissão Europeia de criar novas regras, que vão aumentar a carga de trabalho dos pilotos. Momentos antes de regressar a Lisboa, o comandante Salvador Sottomayor, da Associação de Pilotos de Linha Aérea comentou ao CM o ocorrido em 27 de Dezembro, na Portela e as intenções da Comissão Europeia.

“Considero que o piloto teve uma ‘performance’ exemplar. Felizmente temos pilotos de categoria em Portugal e com as suas capacidades normais ao ponto de executarem manobras que podem parecer radicais, mas para as quais foram treinados”.

Para Salvador Sottomayor, a proposta que a Comissão Europeia quer apresentar a Conselho de Ministros “pode levar a um excesso de trabalho e pôr em causa a segurança, merecendo, por isso, a reprovação dos médicos especializados em medicina aeronáutica”.

Registe-se que a pista portuguesa recordista de situações limites era a do Aeroporto de Santa Catarina, no Funchal, antes das obras de ampliação. Pilotos de várias nacionalidades tentaram ali sucessivas aproximações e tiveram de desistir.

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