O piolho de pombo, uma espécie de ácaro, voltou à Unidade de Neonatologia do Hospital de S. Bernardo, em Setúbal. Uma semana depois dos primeiros sinais de infestação, noticiados pelo CM, que obrigaram a transferir seis bébes prematuros para o Serviço de Pediatria, os ácaros voltaram a atacar obrigando, uma vez mais, a mudar de sala os recém-nascidos – desta vez quatro bebés.
As tarefas de limpeza e desinfecção do sistema de ar condicionado e condutas de ventilação parecem não ter sido suficientes para pôr fim à infestação. E apesar da reabertura no passado dia 27, a Unidade voltou ontem a encerrar devido ao mesmo problema, o que causou estranheza e revolta entre os pais das crianças afectadas. “Já é difícil perceber como é que uma coisa destas acontece uma vez, mas não há justificação para que se repita”, conta ao CM Mário Pereira, pai de uma das bebés.
Depois de algumas tentativas, sem sucesso, para contactar alguém da administração, este pai conseguiu respostas através do gabinete de comunicação do hospital que, no entanto, não satisfizeram. “Dizem-me que vai ser chamada ao local uma empresa especializada em desinfestação. Mas o que eu pergunto é: porque é isso não aconteceu da primeira vez? Tudo isto leva-me a acreditar que não há plano de segurança ou higiene delineado para o hospital”, refere.
REABERTURA EM BREVE
Em comunicado emitido ao final do dia de ontem, o conselho de administração daquela unidade hospitalar explica que, para além da limpeza, “como medida preventiva foi ainda colocada uma rede nos varandins adjacentes, com vista a impedir o acesso dos pombos àquele local”. E confirma o contacto com uma “empresa especializada em desinfestação, prevendo-se que a Unidade volte a estar operacional dentro de 48 horas”.
Por explicar fica, no entanto, quais os motivos que levaram a não optar por esta hipótese quando o piolho de pombo se manifestou pela primeira vez na Unidade de Neonatologia.
POMBOS PERIGOSOS PARA A SAÚDE
O piolho do pombo é um parasita que se transmite a partir dos pombos e pode afectar o ser humano. Apesar de, segundo os especialistas, não dar origem a grandes problemas de saúde pública, pode provocar alergias, como as dermatires, que resultam do contacto deste tipo de ácaros com a pele. Mas este não é o único problemas de saúde transmitido por estas aves, que escolhem os beirais dos telhados e paredes, sobretudo os locais onde existem buracos ou reentrâncias, para fazer os seus ninhos. “Não se contemplam estes problemas na construção dos edifícios”, diz ao CM o veterinário da Federação Portuguesa de Columbofilia, Marc Ryan. “Os buracos proliferam e os humanos entram em contacto com os pombos, o que não devia acontecer”, acrescenta o veterinário. Este especialista considera urgente que as autarquias comecem a revelar maior preocupação com os pombos, para evitar a transmissão de problemas mais graves, como micoses, salmoneloses e outros tipos de doenças infecciosas agudas.
PORTO
Para além do Hospital de S. Bernardo, também o São João, no Porto, foi afectado, no mês passado, pelo problema do piolho do pombo, que obrigou a transferir dez doentes.
A POSTOS
Para as crianças que nasçam em Setúbal e que necessitem de mais cuidados, estão a postos os hospitais do Barreiro, o Garcia de Orta e a Maternidade Alfredo da Costa.
SEM DADOS
Mário Pereira, pai de uma das bebés, tentou contactar a Delegação de Saúde de Setúbal, mas não conseguiu obter explicações que permitam perceber porque é que a situação se repetiu.
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