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PJ detém 12 suspeitos de associação criminosa, branqueamento e burla qualificada

Organização criminosa atuava desde 2021 em Portugal, França, Espanha e Bélgica.

01 de julho de 2026 às 17:07

Doze homens, com idades entre os 30 e os 60 anos, foram detidos, esta quarta-feira, pela Polícia Judiciária, pelos crimes de associação criminosa, branqueamento e burla qualificada por meio informático. A operação, designada de 'Jet Lag', permitiu acabar com a atividade de uma organização criminosa, com matriz de rede de natureza transnacional, que estava ativa pelo menos desde 2021. 

Segundo a Polícia Judiciária em comunicado, a rede dedicava-se à prática do crime de branqueamento, associada a operações ilícitas a montante e que eram cometidas, maioritariamente, em Portugal, França, Espanha e Bélgica. O esquema funcionava através da prática sistemática de burla qualificada, acesso ilegítimo e falsidade informática, de onde resultavam as vantagens que eram depois branqueadas. 

No topo da pirâmide, estava um português que foi identificado pela Polícia Judiciária. Este suspeito reside na Bélgica, mas deslocava-se frequentemente a Portugal para proceder ao processo de branqueamento. Para esse fim, contava com o apoio de outras pessoas, em Portugal, de 'money mules' -  pessoas que recebem dinheiro de terceiros nas suas contas bancárias e transferem para terceiros ou levantam o dinheiro e entregam a outra pessoa, recebendo uma comissão. Estes "eram recrutados para constituírem uma arquitetura societária deliberadamente concebida como veículo de passagem, destinado a dissipar as vantagens ilícitas". 

A Polícia Judiciária explica ainda que, "a organização operava através de um ciclo de execução por estados, numa lógica 'just in time', visando a máxima eficiência na ocultação de fundos ilícitos, razãopela qual necessitava de um recrutamento constante ao nível das 'money mules', indispensáveis para corporizarem as supostas estruturas societárias". Depois, os fundos eram transferidos para a Lituânia, Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Espanha e Suécia, configurando uma estratégia de fragmentação internacional para prevenir apreensões judiciais. 

Além dos 12 detidos, foram apreendidos dois carros de alta gama, documentação relevante para a investigação e 19 contas bancárias nacionais. Em investigação, encontram-se ainda movimentos financeiros fraudulentos estimados em 17 milhões de euros, tendo já sido identificados lesados no montante de dois milhões e 500 mil euros, todos sociedades com sede fora de Portugal.

Os detidos vão ser presentes a tribunal, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação.

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