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PJ segue rasto de cem pessoas

Cláudia. Rui Pedro. João. Sofia. Os nomes sucedem-se. O rasto destas crianças, algumas já adolescentes, perdeu-se com o passar dos anos. Desapareceu. Para trás deixaram a esperança de que um dia apareçam com vida, em qualquer parte do mundo. Uma esperança que os seus familiares carregam penosamente.

06 de junho de 2005 às 00:00

A par das memórias, ficaram os rostos. E estes estão dispostos na triste galeria de pessoas desaparecidas da Polícia Judiciária. Fazem parte de uma pequena percentagem de pessoas que a PJ não consegue localizar.

Neste momento, estão dadas como desaparecidas uma centena de pessoas, entre menores e adultos, só na área da Grande Lisboa. A maior parte não tem qualquer ligação a condutas criminosas.

Números que deverão subir ligeiramente à medida que o final do ano lectivo se aproxima. Diz a experiência que este é um período fértil para o desaparecimento de adolescentes.

O perito é Francisco Santos Silva, director do Departamento Central de Informação Criminal e Polícia Técnica que chefia também a brigada de desaparecidos.

“No final dos anos escolares há um aumento de desaparecimentos, relacionado com o aproveitamento escolar. Começam a tirar más notas, acham que estão num beco sem saída e desaparecem. Às vezes, até o fazem em grupo e enquanto têm um dinheirito aguentam-se. Aparecem oito dias depois”.

Os desaparecimentos dependem, sobretudo, do contexto familiar, das motivações e da idade. Vamos então às estatísticas.

No ano passado, a PJ de Lisboa recebeu 232 comunicações de desaparecimentos – 105 menores, 87 homens e 40 mulheres. Noventa e cinco por cento desses casos estão resolvidos. No caso das crianças, o índice de eficácia é de 99 por cento.

De acordo com Santos Silva, a maior parte dos desaparecimentos de menores não tem por trás motivações criminosas, como redes de prostituição ou pedofilia. Regra geral, as crianças são envolvidas em disputas familiares, sendo levadas por um dos progenitores; as mulheres fogem da violência doméstica e os homens desaparecem de circulação por dívidas em excesso e casos amorosos demasiado incómodos.

Em média, as crianças são encontradas passado 48 horas e os adolescente oito dias depois.

Nestes casos, a PJ reconstitui o trajecto da pessoa que não voltou a casa. Qualquer rotina, conversa com familiares ou amigos é fundamental. Quanto mais rápida for a comunicação, mais fáceis se tornam as pistas de seguir.

Em termos de recolha e tratamento de dados, a PJ está apetrechada com o que de mais moderno existe, designadamente o sistema AFIS 2000, de comparação de impressões digitais, também usado pelo FBI e cujas potencialidades se pode apreciar nas séries de televisão ‘CSI’ e ‘Sem Rasto’. Séries realistas em termos de meios, mas algo romanceadas na rapidez de resultados.

CONSELHOS PARA GENTE MIÚDA

Não andes sozinho pelas ruas desertas ou descampados, mesmo que seja perto de casa. Não uses objectos valiosos e recusa-te a entrar em automóveis de desconhecidos. Escolhe bem os teus amigos.

Se estiveres em casa sozinho, nunca digas a desconhecidos que não está mais ninguém em casa. Não abras a porta, a não ser que seja de absoluta confiança. Diz sempre aos teus pais ou a quem estiver contigo para onde e com quem vais brincar. Se te encontrares em dificuldades telefona ao 112 e, se puderes, dirige-te à esquadra mais próxima. Se fores agarrado grita o mais alto que puderes e tenta fugir. Comunica aos teus pais, à polícia ou professores qualquer anomalia de que tenhas conhecimento.

Se te perderes dos teus pais, não te distancies do lugar; será mais fácil a tua localização. Procura decorar a tua morada e telefone, mas não forneças os dados a qualquer pessoa.

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