A correcta cooperação entre a PSP, os Serviços Prisionais e o Tribunal fez abortar a preparação de uma fuga para o estrangeiro de três indivíduos, todos com processos por tráfico de droga, dois dos quais estavam em prisão preventiva na cadeia do Montijo, segundo fonte policial.
Um outro, em liberdade, e um dos presos em preventiva tinham, aliás, julgamento marcado para sexta-feira, dia 28 de Fevereiro, no Tribunal do Barreiro, onde acabaram por ser condenados por tráfico.
O caso foi descoberto na terça-feira à tarde, dia 25, quando a Esquadra de Investigação Criminal (EIC) da Divisão da PSP do Barreiro vigiava um indivíduo, arguido num processo por tráfico de droga, mas que aguardava o julgamento em liberdade.
O indivíduo era também considerado “violento”, tanto mais que recentemente agredira um outro e entrara pela casa dentro de uma mulher, onde a vítima procurara refúgio. E quando a PSP chegou ainda tentou atropelar um agente durante a fuga, facto também que seguiu a via judicial, além de uma suspeita de violação. As vigilâncias da EIC encontravam assim justificação na conduta do arguido e suspeito e na terça--feira à tarde o cruzamento de informações fez a PSP chegar a fortes suspeitas da preparação de uma fuga para França.
As suspeitas envolviam o arguido que esperava o julgamento em liberdade, o preso em preventiva na cadeia do Montijo no âmbito do mesmo processo e um outro preso em preventiva na mesma cadeia, também por tráfico. O primeiro e o último indivíduos pareciam, no entanto, ser os mais importantes na preparação da fuga, muito embora a polícia não dispusesse de quaisquer pormenores sobre o método a usar, embora o destino fosse a França e depois, talvez, Cabo Verde, tendo em conta a origem dos três indivíduos.
Ainda na terça-feira antes das 18h00, a PSP do Barreiro contactou telefonicamente e depois pessoalmente a direcção da cadeia do Montijo, que tomou medidas de segurança sobre os dois ‘preventivos’ e ficou decidido que na quarta-feira um deles seria transferido para outra cadeia. O outro seria mantido no Montijo dado o julgamento na sexta-feira.
Na noite de terça-feira e madrugada do dia seguinte, elementos da EIC do Barreiro percorreram vários locais mantendo sob vigilância o arguido que se encontrava em liberdade, uma vez que se era praticamente impossível a fuga do Montijo havia o receio de ser vir a ser criado um incidente para conduzir os dois ‘preventivos’ ao espaço exterior da cadeia – uma ‘doença’, por exemplo.
Na manhã de quarta-feira, entretanto, o juiz do processo passava à PSP – com base nas informações policiais – um mandado de captura do arguido, que pouco tempo depois era conduzido à cadeia do Montijo. A presença no julgamento já a fez sob prisão e fortes medidas de segurança.
SEGURANÇA REFORÇADA
A cadeia do Montijo é um estabelecimento de reclusão regional mais virado para as prisões em regime preventivo, mas que se tornou conhecido por fugas sucessivas. Em Janeiro, por exemplo, quatro reclusos conseguiram ultrapassar a segurança da cadeia, mas se três acabaram por ser detidos ficou claro que os obstáculos a uma eventual fuga não seriam os suficientes, tal como na altura salientou José Figueiredo, presidente do Sindicato do Corpo de Guardas Prisionais.
Uma primeira medida para aumentar a segurança foi reforçar a vedação do muro que separa a cadeia da área exterior do edifício, que agora conta com filamentos metálicos cortantes de duas faces, graças à cedência com urgência de uma verba de 25 mil euros que cobriu também mais uma ou outra área.
Mas a maior lacuna parece residir na falta de guardas prisionais, questão que poderá ser suprida com as próximas incorporações, processo que está a decorrer.
A CAMINHO DE FRANÇA
Os planos de fuga descobertos pela PSP do Barreiro tinham França como eventual destino, mas esta rota já é conhecida das autoridades policiais, em particular desde o ‘caso Pepa’, o indivíduo acusado de assassinar um agente da PSP na Damaia, Amadora, há dois anos, e que está preso em Cabo Verde à espera do julgamento.
De facto, Pepa e outros fugitivos cabo-verdianos parecem ter uma ‘predilecção’ por França, numa rota de fuga para quem busca Cabo Verde. Ao invés do voo directo a partir de Lisboa, os fugitivos optam por ir a França, de onde apanham então o avião para o Senegal e daí para Cabo Verde. É uma forma de evitar as autoridades portuguesas e uma corrida contra o tempo para contrariar os mandados de captura internacional.
QUESTÕES LIGADAS AOS ARGUIDOS
CONDENAÇÃO
O Tribunal do Barreiro condenou os dois arguidos a oito e seis anos de cadeia, expulsão e proibição de entrar em Portugal durante dez anos. Pode haver recurso.
SEGURANÇA
O Tribunal foi rodeado por rigorosas medidas de segurança, tendo em conta as suspeitas de fuga. Foi chamado o GISP, a unidade especial do Corpo de Guardas Prisionais.
DROGA
No processo de tráfico de sexta-feira no Barreiro, foram ainda julgados mais quatro arguidos e dois foram condenados a seis anos e outros dois a pena suspensa.
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