Um polícia da esquadra da Marinha Grande matou a ex-namorada a tiro. Os disparos – na madrugada de ontem, nos arredores de Leiria – foram rápidos e certeiros. A cabeleireira, de 31 anos, apanhada de surpresa, não teve hipótese de defesa e caiu morta junto à casa do seu actual companheiro.
Sílvia Catarina Morganiço tinha acabado a relação com o polícia há seis meses, mas ele nunca aceitou o fim do namoro. Segundo amigos do casal, “vivia angustiado e não conseguia aceitar que ela andasse com outro homem”. Ontem de madrugada, depois de sair da esquadra, à 01h00, dirigiu-se à localidade de Guimarota e escondeu-se numa zona escura, à espera da ex-namorada. Sabia que ali morava o actual namorado de Sílvia Morganiço – um jovem brasileiro –, com quem a vítima ia ter com frequência.
Quando chegou, ao volante do seu Peugeot 206, a cabeleireira mal teve tempo para perceber o que se estava a passar: o polícia saiu do escuro de arma em riste – uma pistola calibre 7.65 mm semelhante às usadas pelas forças policiais – e disparou à queima-roupa. Os primeiros dois tiros atingiram a mulher na cabeça e no coração. Os restantes – pelo menos quatro –, tinham como alvo o brasileiro, que se apercebeu do perigo e conseguiu fugir.
Segundo um morador da Guimarota, foram recolhidos seis invólucros pelas autoridades policiais. Alguns projécteis acertaram no carro do namorado da vítima, numa ambulância de transporte de doentes estacionada na zona e na parede de uma casa.
Sílvia Catarina Morganiço ainda foi transportada pelos bombeiros ao Hospital de Santo André, em Leiria, mas veio a falecer. O corpo seguiu para o gabinete de Medicina Legal, para ser autopsiado.
Após o homicídio, o polícia fugiu de carro e, ao que tudo indica, foi dormir a casa dos pais como se nada se tivesse passado. Mas, consciente de que havia provas testemunhais contra si, o agente entregou-se,ao fim da manhã, na esquadra da Marinha Grande, onde exercia funções há vários anos.
Pelas 13h00, abandonou as instalações da PSP, acompanhado por uma brigada a PJ de Leiria. Hoje, será ouvido em primeiro interrogatório judicial, no Tribunal da cidade.
Em casa de Sílvia Catarina Morganiço, o clima é de sofrimento, mas sobretudo de muita revolta. A cabeleireira deixa órfão um filho de quatro anos e “muita saudade”.
“Ninguém tem o direito de matar, muito menos por ciúmes”, verbalizou uma vizinha, tentando amparar o pai da vítima. Com os olhos vermelhos de dor, o homem apenas fez um pedido: “Deus queira que eu seja vivo quando o apanharem!” Não sabia que já estava preso.
A cabeleireira trabalhou num salão de Leiria, mas estava desde Setembro numa cabeleireira, nas galerias comerciais do Intermarché, na Marinha Grande.
“Ela não merecia uma coisa destas”, afirma uma ex-colega de trabalho. Segundo esta amiga da vítima, na quinta-feira à noite, Sílvia Catarina Morganiço tinha ido reconhecer um primo que falecera num acidente de viação. Para desanuviar, foi dar um passeio à Nazaré, com o actual namorado, longe de imaginar a tragédia que lhe estava reservada para pouco depois. Quando chegava junto ao apartamento onde vive o companheiro, foi morta à queima-roupa, pelo ex-namorado que não aguentou vê-la com outro homem.
"ELE ANDA APAVORADA"
Os amigos de Sílvia Catarina Morganiço afiançam que a cabeleireira “andava apavorada” com o comportamento do ex-namorado. “Ele era muito ciumento e nunca aceitou a separação. Nos últimos tempos, suspeitamos
que a perseguia para todo o lado”, afirma uma amiga. Das várias pessoas que aceitaram falar ao CM, nenhuma deu autorização para ser identificada. Foram surpreendidas pelo acto tresloucado do polícia e estão com medo. Algumas, terão mesmo pedido protecção à PJ de Leiria. Os que privavam com o agente também só aceitaram dar o seu testemunho sem serem identificados. “Foi uma surpresa para todos. Ele gostava muito dela e andava em baixo por causa da separação, mas era uma pessoa calma e muito ponderada. Ninguém ia imaginar que uma coisa destas pudesse acontecer”, afirmou uma amiga.
TRÊS DISPAROS
Um ex-militar da Brigada de Trânsito da GNR, de 53 anos, abateu a ex-mulher com três tiros de pistola, em Maio, no Seixal. O casal estava separado há uma semana e o homem não aguentou os ciúmes. A vítima tinha 50 anos.
BALA NA CABEÇA
Um agente da PSP de Sacavém, de 36 anos, foi detido em Julho pela Polícia Judiciária de Lisboa, por suspeita de homicídio. A mulher tinha sido morta com uma bala na cabeça, na casa do casal, e o agente alegou que o disparo foi acidental. Mas a Judiciária encontrou vários vestígios de crime.
EMPURRÃO
Em Agosto do ano passado, um reformado da PSP matou involuntariamente a mulher, na sequência de uma discussão, no Forte da Casa, em Vila Franca de Xira. O casal ter-se-á agredido mutuamente, a mulher foi empurrada, caiu e bateu com a cabeça. Teve morte imediata, foi então divulgado.
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