O Papa Bento XVI decidiu aplicar a Constituição de 1969 (promulgada pelo Papa Paulo VI) e presidir apenas às cerimónias de canonização, voltando as beatificações a contar com a presidência do Cardeal Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, neste caso, o português D. José Saraiva Martins. Uma situação que se verificou já no passado dia 14, em que D. José presidiu à beatificação das freiras Marianne Cope (Haiti) e Maria Ascensão (Espanha).
Esta regra constitucional vigorou apenas uma década, já que o falecido Papa João Paulo II, grande impulsionador das beatificações e canonizações, por considerar extraordinário o valor ecuménico da santidade, decidiu presidir a todas as cerimónias, a maior parte das quais em conjunto.
Aliás, entre outras coisas, João Paulo II vai ficar para a História da Igreja como o Papa que mais servos de Deus beatificou (1384) e mais beatos canonizou (486), num total de 1870 católicos elevados aos altares. Muitos mais do que os seus antecessores desde 1538, o ano em que foi criado um dicastério para tratar das questões da santidade.
REGRESSO AO PASSADO
Bento XVI resolveu dar cumprimento à Constituição de 1969, o que está a ser entendido em alguns sectores da Igreja, mesmo no Vaticano, como “uma espécie de desvalorização das beatificações”, que ao nível do culto, têm apenas um âmbito restrito (nação ou família religiosa).
Em declarações ao Correio da Manhã, o cardeal D. José Saraiva Martins negou peremptoriamente essa interpretação, referindo que se trata apenas “de uma opção do Santo Padre, que preferiu dar cumprimento ao estipulado, que sublinha a diferença entre a beatificação, que tem âmbito local e a canonização, que merece veneração universal”.
“Engana-se quem pensa que este Papa quer desvalorizar a santidade ou até os degraus que constituem o seu caminho, como a venerabilidade e a beatificação. O que acontece é apenas uma questão de forma, o repescar de uma velha praxe”, explicou o cardeal português.
De resto, D. José mostra-se convicto de que não vai haver nenhuma “travagem” no ritmo de beatificações e canonizações, lembrando que “existem na Congregação mais de 2200 processos (entre os quais 34 portugueses), muitos deles perto da conclusão, a que é preciso dar saída e a saída só pode ser a beatificação ou a canonização, consoante as situações”.
Nesta altura, com processo concluído e à espera de marcação da cerimónia de beatificação, estão sete venerandos, entre os quais a Madre Rita Amada de Jesus, uma freira portuguesa, natural de Viseu.
QUATRO LUSOS POR CANONIZAR
Dos 34 processos portugueses introduzidos na Congregação para a Causa dos Santos, há três que prendem a atenção dos portugueses: a canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco, a canonização do beato Nuno de Santa Maria e a canonização da Beata Joana, a padroeira da diocese de Aveiro. De resto, nos últimos seis anos foram beatificados cinco portugueses (Jacinta, Francisco, Frei Bartolomeu dos Mártires, Alexandrina de Balasar e a Madre Rita, está a aguardar cerimónia). Em toda a sua história de quase nove séculos, os nosso País ‘viu’ subir aos altares 86 servos de Deus, contando actualmente com 29 santos e 57 beatos. Se tudo correr bem, a lista dos santos deve ser, em breve, alargada para 33.
A REGRA PODE SER QUEBRADA EM BREVE
JOÃO PAULO II
Apesar de ter ‘ressuscitado’ a regra de 1969, Bento XVI pode quebrá-la quando entender. E é muito provável que o faça em breve. É que o processo de beatificação de João Paulo II já foi aberto e se vier a ser concluído rapidamente e com êxito, Bento XVI não deixará de presidir à cerimónia.
PASTORINHOS
Jacinta e Francisco podem ser canonizados a 13 de Maio de 2007. O processo está muito bem encaminhado e tudo indica que, aliada aos 90 anos das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria, a canonização dos dois pastorinhos, beatificados em 2000, possa ‘trazer’ Bento XVI a Fátima.
BOICOTE
O Papa Bento XVI apoia um boicote ao referendo italiano, que se vai realizar em Junho, sobre o levantamento de restrições à investigação em embriões, inseminação artificial e doação de óvulos e esperma, não permitida naquele país. Tudo em nome da vida humana e dos valores da família.
MADRE RITA DE JESUS À ESPERA DE SUBIR AO ALTAR
Já teve a cerimónia de beatificação marcada para o dia 24 de Abril deste ano, mas a morte de João Paulo II acabou por adiar ‘sine die’ o acontecimento mais aguardado pelas irmãs do Instituto de Jesus, Maria e José, que a veneranda madre fundou em 1880, na cidade de Viseu. O dia 24 de Abril foi, aliás, o da coroação do actual Papa, Bento XVI. Contactada pelo CM, a irmã Maria Madalena Frade da Costa, postuladora da causa, disse que “para já não está marcada qualquer data”, mas disse esperar que “a cerimónia seja agendada muito em breve”. Rita Lopes de Almeida, que adoptou o nome religioso de Rita Amada de Jesus, nasceu na freguesia viseense de Ribafeita no dia 5 de Março de 1948. Com 32 anos e depois de vencer muitos entraves, fundou uma congregação religiosa com o intuito de dar protecção e formação às jovens portuguesas, que na altura não tinham onde estudar. O Instituto de Jesus, Maria e José cresceu até 1910, altura em que a madre e todas as freiras passaram a ser vítimas de violentas perseguições dos republicanos. Nessa altura resolveu enviar vários grupos de freiras para o Brasil, onde a comunidade se desenvolveu imenso. Aliás, o milagre que permitiu a beatificação ocorreu precisamente no Brasil, há 16 anos: Isméria Taveira Cintra, de 43 anos, tinha 20 por centro do intestino putrefacto e os médicos deram-lhe poucos dias de vida. O marido pediu para que ela fosse operada e, miraculosamente, sobreviveu. A madre Rita de Jesus morreu em 1913.
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