Vinte e um dos 38 militares da GNR terça-feira detidos pela Polícia Judiciária no âmbito da operação ‘Centauro’ vão recolher a prisão preventiva ao Estabelecimento Prisional de Tomar, depois de ontem terem sido ouvidos pelos juízes do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa. Os restantes 17 elementos foram suspensos das suas funções na Guarda, aplicando-se-lhes termo de identidade e residência. Igual medida tiveram os dois únicos civis envolvidos neste megaprocesso.
Um dos efectivos da GNR suspenso das suas funções, natural de Setúbal, já tinha mesmo sido levado a julgamento, há cerca de dois anos, igualmente por acusações de corrupção, acabando por ser absolvido. No entanto, e perante esta nova acusação feita ao seu cliente, o advogado deste militar adiantou ao CM a hipótese de que esta nova indiciação possa ter a ver com uma alegada “duplicação de documentos do processo, de origem ainda não apurada”.
A autêntica maratona de audições de ontem começou a poucos minutos das nove da manhã. Uma ‘comitiva’ constituída por três viaturas da Polícia Judiciária chegava às instalações do TIC, transportando 20 dos 38 militares anteontem detidos, e que só ontem puderam ser ouvidos.
Rápida e eficaz, a operação conseguiu afastar as objectivas das máquinas fotográficas e das máquinas de filmar dos militares que se deslocaram ao tribunal para ser ouvidos.
Encarregues desta tarefa ficaram diversos juízes – inclusive alguns que tiveram de abdicar das suas folgas para responder a todo o expediente que entrou no tribunal –, que se distribuíram pelos 1.º, 3.º, 4.º e 5.º juízos do TIC.
No exterior, e ao longo de toda a manhã, foi, por várias vezes, possível notar a presença de viaturas da GNR, transportando militares que não conseguiam esconder a curiosidade face ao destino dos colegas.
Pelas 21h44, um carro dos Sapadores Bombeiros foi chamado ao edifício do TIC, para desbloquear a fechadura de uma das celas, que bloqueou com um detido ainda lá dentro.
Por outro lado, vários advogados de Defesa insurgiram-se contra as condições em que os detidos aguardaram, durante todo o dia, o desfecho da sua situação.
“Lá em baixo está tudo uma grande confusão. Há indivíduos deitados no chão e misturados com detidos de outro tipo”, especificou um dos advogados.
Segundo fontes contactadas pelo nosso jornal, a operação ‘Centauro’ não irá mesmo ficar por aqui. Assim, serão mesmo cerca de 90 os militares da BT ainda na mira da Judiciária, isto para além dos 38 detidos anteontem e dos 19 indiciados em Albufeira (o que faz um total de cerca de 150).
O número de 90 guardas suspeitos poderá traduzir-se, com o desenrolar das investigações, em mais detenções, dependendo das pistas que a PJ conseguir encontar no decurso de buscas domiciliárias já autorizadas pelas entidades judiciárias.
O que for descoberto na posse dos guardas visados e nas relações que forem possíveis provar dos mesmos com empresários e, até, outros militares, poderá então fazer subir ou baixar o número de indivíduos a deter. Em causa estão suspeitas de ‘esquemas’ de corrupção passiva e activa e extorsão ocorridas entre 1999 e o início de 2001.
O ‘esquema’ de corrupção e extorsão permitia a alguns guardas da BT levar para casa ao final do mês uma média de 300 euros como ‘complemento’ do ordenado. O valor, nalguns casos, será bem superior. No entanto, militares há que estarão detidos por muito menos, tendo tido o ‘azar’ de ser apanhados no decurso das vigilâncias da PJ a receber pequenas ‘lembranças’, como garrafas de uísque.
Ao que foi possível apurar, alguns dos 37 militares detidos anteontem - em diversos pontos da Grande Lisboa e Centro do País –, ao qual se juntou já durante o dia de ontem o 38.º militar (que a PJ não conseguiu deter antes por se encontrar de férias em Espanha), podem ter sido avisados pela hierarquia que deveriam aguardar pela Judiciária nas suas casas.
COMO ACONTECIA
Alegadamente, as empresas entregavam aos militares dinheiro e bens materiais em troca da não autuação das suas viaturas. A relação era semelhante a uma avença. Segundo fontes contactadas, os guardas recebiam notas, cheques, senhas de gasolina, facilidade de abastecimento das viaturas particulares, materiais de construção e prendas diversas, como garrafas.
PROTESTO PARADO
Várias dezenas de guardas da GNR estiveram à beira de depor as suas armas em protesto simbólico contra a operação da Judiciária, adiantou ontem José Manageiro, da APG-Associação de Profissionais da Guarda, que diz ter conseguido impedir a acção. O responsável afirmou ter sido pressionado por dezenas de militares de todo o País.
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