Procuradora em causa

António Colaço, advogado do ex-inspector da Polícia Judiciária, Dias André, e José Maria Martins, defensor de Carlos Silvino, admitem apresentar uma participação ao Conselho Superior do Ministério Público contra a procuradora Fernanda Pêgo.
10.11.06
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Procuradora em causa
Dias André processou Krieken, mas o processo foi arquivado Foto Manuel Moreira
Em causa está o facto de esta magistrada do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa ter tido uma conversa de algumas horas com o jornalista Jorge van Krieken (conhecido por defender Carlos Cruz) sobre vítimas de abusos sexuais do processo – a mesma procuradora que, em Janeiro deste ano, arquivou um processo por difamação, coacção e favorecimento pessoal, movido por Dias André e Rosa Mota contra o jornalista.
“A ser verdade, existe uma coincidência entre as declarações de Jorge van Krieken e a procuradora que investigou e determinou o arquivamento dos crimes contra a testemunha em causa, o que é uma situação de extrema gravidade e parece demonstrar que o arquivamento poderá não ter sido isento e juridicamente correcto”, disse ao CM António Colaço.
A conversa foi revelada pelo próprio Krieken, em tribunal, quando era questionado sobre as informações a que tinha tido acesso sobre as vítimas de abusos, por contacto directo ou através de terceiros. O jornalista referiu, então, a procuradora Fernanda Pêgo como uma das pessoas que lhe falaram sobre as vítimas, revelando ter conversado algumas horas com a magistrada após uma audição como arguido. A juíza Ana Peres não permitiu a revelação da conversa, por poderem estar em causa factos em segredo de justiça, mas o advogado de Dias André vai pedir certidão do depoimento para participação ao procurador-geral da República. Também José Maria Martins considera os factos “muito graves” e pondera agir após a conclusão do depoimento de Krieken, que ainda terá de voltar a tribunal para responder às perguntas do Ministério Público.
JÚDICE OUVIDO NA PRÓXIMA AUDIÊNCIA
José Miguel Júdice, bastonário da Ordem dos Advogados entre 2002 e 2004, período em que foi divulgado o escândalo de abusos sexuais na Casa Pia, é ouvido na próxima sessão do julgamento de pedofilia.
O advogado foi arrolado como testemunha de defesa de Carlos Silvino. José Maria Martins alega que a Ordem teve intervenções no processo a favor dos arguidos, com excepção de Carlos Silvino, e quer esclarecer o papel que teve este organismo no caso de pedofilia da Casa Pia. Aliás, o advogado também arrolou como testemunha o actual bastonário, Rogério Alves, cuja audição ainda não está agendada.
Ontem, na 245.ª audiência, o tribunal ouviu como testemunha de Carlos Cruz o antigo director da RTP, José Alberto Machado, residente no prédio da Avenida das Forças Armadas, referido na acusação. O jornalista garantiu nunca ter visto o apresentador ou menores no edifício, nem ter ouvido qualquer comentário dos vizinhos a esse respeito.

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