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Correio da Manhã

Portugal

Proteção policial para vítimas de seguranças

Grupo perigoso detido pela PSP vai ser julgado por extorsão, coação, ameaças e ofensas.
Isabel Jordão 27 de Novembro de 2017 às 09:18
Os irmãos Paulo e Jonatas Miguel são os principais arguidos
Os irmãos Paulo e Jonatas Miguel são os principais arguidos
Gerente da 365 é arguido
Os irmãos Paulo e Jonatas Miguel são os principais arguidos
Os irmãos Paulo e Jonatas Miguel são os principais arguidos
Gerente da 365 é arguido
Os irmãos Paulo e Jonatas Miguel são os principais arguidos
Os irmãos Paulo e Jonatas Miguel são os principais arguidos
Gerente da 365 é arguido
Um grupo perigoso liderado por dois irmãos de Leiria recorria a ameaças e agressões para impor serviços de segurança nos estabelecimentos de diversão noturna no Centro do País, fixando os preços, controlando o funcionamento e exigindo comissões pagas em dinheiro, a coberto de uma empresa de segurança. O esquema prolongou-se por dois anos e foi desmantelado pela PSP, através da Operação Punho Cerrado, começando o grupo a ser julgado em janeiro, no Tribunal de Leiria.

O grupo é de tal forma violento que o Ministério Público fez um pedido ao tribunal para que as testemunhas tenham proteção policial e sejam ouvidas por videoconferência, com ocultação da imagem e distorção da voz.

Estão em causa mais de uma centena de crimes de extorsão, coação, ameaças, ofensas à integridade física, exercício ilegal de segurança privada, detenção de arma proibida e associação criminosa, num processo com 21 arguidos individuais - entre os quais os irmãos Paulo e Jonatas Miguel e vários seguranças da sua confiança - e a empresa de segurança privada 365, com sede em Cantanhede.

Os dois irmãos, que estão presos desde dezembro de 2016, abordavam os proprietários de bares e discotecas, a quem "aconselhavam" mudar os serviços de segurança para a empresa controlada por eles, sob pena de causarem conflitos, agredirem clientes, destruírem bens e atacarem familiares.

Delinearam estratégia para recuperar clientes
Os irmãos de Leiria, conhecidos por serem perigosos e violentos, pretendiam recuperar as casas noturnas que pertenciam à Lexsegur, antes de a empresa ser extinta pelo tribunal.

Segundo o Ministério Público, Paulo Miguel era o "arquiteto do plano" e Jonatas o "operativo externo".

Congeminou plano de ataque a partir da cadeia
O plano de atuação da  ‘Família Lex’ ou ‘Célula de Leiria’, como é designado pelo Ministério Público, foi congeminado quando Paulo Miguel estava preso, por fraude fiscal, corrupção e branqueamento de capitais.

A ideia era impor os serviços de segurança, usando a empresa 365.

Cada operacional tinha de pagar comissão
Por cada elemento colocado nos estabelecimentos a garantir a segurança, os dois irmãos recebiam comissões pagas em dinheiro, de 10 a 15 euros por noite. Era o "pagamento de proteção". Quem trabalhava por conta própria ou por outras empresas também tinha de pagar e se não o fizesse era agredido.

A acusação, com mais de 50 páginas, relata uma dezena de agressões. De acordo com o plano traçado pelos dois irmãos, a empresa 365 fornecia o seu alvará, as fardas e toda a documentação legal para que a situação não fosse detetada pelas autoridades.

Irmãos julgados noutro processo 
Os dois irmãos e mais dois arguidos estão a ser julgados noutro processo semelhante, que chega ao fim na próxima quarta-feira. São 16 arguidos - um é militar da GNR - julgados por ofensas à integridade física, coação, ameaças e tentativa de homicídio. 

PORMENORES 
Três distritos
O ambiente de medo e terror abrangia estabelecimentos de diversão noturna situados nos distritos de Leiria, Santarém e Coimbra, tendo-se prolongado pelos anos de 2015 e 2016.

Violência doméstica
Jonatas Miguel está também acusado de um crime de violência doméstica. No outro julgamento a decorrer em Leiria, é Paulo Miguel que responde também por violência doméstica.
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