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PSP morre ao salvar homem caído à linha

Um agente da PSP morreu ontem, horas depois de ter sido atingido por um comboio, quando salvou a vida a um homem que caiu à Linha de Cascais depois de saltar uma vedação que dá acesso à via férrea, sob o viaduto que liga a Avenida Infante Santo às Docas, em Lisboa.

23 de janeiro de 2006 às 00:00

Um outro polícia, da esquadra de Belém, e que se lançou também à via férrea na tentativa de salvar o indivíduo, foi igualmente atingido pelo comboio. Está internado em estado grave mas livre de perigo.

O civil, um homem de 23 anos que tinha acabado de sair de uma discoteca e estaria alegadamente embriagado, segundo fonte policial, escapou do acidente, com hematomas de pouca gravidade.

Rui Lemos, 30 anos, a vítima mortal do acidente de ontem, saiu de serviço – pertencia à Divisão de Segurança a Instalações – pouco depois das 06h00. Colocado no edifício da Divisão de Investigação Criminal da PSP, na Rua da Cintura do Porto de Lisboa, o agente caminhou em direcção a uma paragem de autocarros, situada na Avenida 24 de Julho, com o intuito de apanhar um eléctrico que o transportasse até casa.

No local, encontrou-se com Bruno Oliveira, de 24 anos. O jovem agente, colocado na esquadra da PSP de Belém, ia apanhar o mesmo transporte, mas, no seu caso, em direcção ao local de trabalho.

CAIU A SALTAR A VEDAÇÃO

A tranquilidade dominava o princípio da manhã de domingo dos dois colegas quando, pelas 06h35, ambos se aperceberam de que um homem estava caído na via férrea.

“Aparentava ter saído de uma discoteca das Docas. Talvez para evitar subir as escadas do viaduto que atravessa a Avenida 24 de Julho, saltou uma vedação que dá acesso à via férrea. Tropeçou e caiu”, disse ao CM uma fonte policial.

Segundos depois surgiu um comboio, no sentido Cais do Sodré-Cascais, que obrigou à intervenção imediata dos dois agentes. Ambos se aperceberam de que estava em causa a vida do homem caído na via férrea.

Rui Lemos e Bruno Oliveira saltaram a vedação separadora da linha férrea. O indivíduo foi prontamente levantado por ambos e colocado num local seguro. Os dois agentes acabaram, no entanto, por não conseguir evitar o comboio.

Ambos foram, ao que apurou o nosso jornal, atirados ao chão com violência pela deslocação de ar causada pelo comboio. Populares contactaram, de imediato, a emergência médica.

O ferido civil e o agente Bruno Oliveira foram transportados ao Hospital de São José. O primeiro recebeu tratamento e teve alta ao final da manhã. Ao agente Oliveira foram-lhe diagnosticados traumatismos internos e um edema cerebral. Foi operado, ontem à tarde, e encontra-se livre de perigo.

O agente Rui Lemos foi transportado ao Hospital S. Francisco Xavier. Os diversos traumatismos que sofreu obrigaram, igualmente, a que fosse operado. No entanto, viria a falecer pelas 12h15. A PSP de Lisboa abriu já um inquérito interno ao acidente.

'VIVIA MAIS PARA OS OUTROS'

“Vivia mais para os outros do que para ele” – o desabafo de José Sousa, sogro de Rui Lemos, evidencia o sentimento de grande estima que merecia o polícia por parte da família e da população de Atães, no concelho de Vila Verde. Foram, de resto, muitos os amigos que ontem se concentraram na casa de José Sousa, onde Rui Lemos (natural de S. Torcato, Guimarães) vivia com a mulher (Paula Cristina, de 29 anos) e dois filhos (um de quatro meses e outro de três anos). Num ambiente de grande emoção e pesar, José Barbosa realçava a “bondade” de “um grande amigo”, “sempre muito directo e pronto e disponível para ajudar, tanto na borga como no trabalho”. Joaquim Araújo reclamava mesmo “porque é que há tantas pessoas que andam por aí sem fazer falta nenhuma, e tinha de ir logo um homem como este”. A comissão fabriqueira iniciou já ontem os trabalhos de arranjo da igreja paroquial para receber o funeral, previsto para amanhã.

BRUNO OLIVEIRA

Bruno Oliveira, o agente da PSP de 24 anos que ontem ficou gravemente ferido no acidente da Avenida 24 de Julho, recebeu os galões policiais há menos de um ano. Fez parte do último curso de formação de agentes.

VILA REAL

Os pais do jovem agente, nascido em Vila Real de Trás-os-Montes, foram contactados pela PSP ontem de manhã. Devem chegar hoje a Lisboa, onde acompanharão de perto o estado de saúde do filho.

MAQUINISTAS

A CP contactou todos os maquinistas que, ao princípio da manhã de ontem, estiveram de serviço na Linha de Cascais. Nenhum se recordou de ter sentido qualquer embate no comboio que conduzia.

AUTÓPSIA

Após a confirmação da morte, o corpo do agente Rui Lemos foi levado para o Instituto de Medicina Legal de Lisboa, local onde, durante o dia de hoje, decorrerá a autópsia.

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