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Queimada pelo marido

Eram 06h30 quando Margarida Reis saiu de casa para passear a cadela de companhia. O marido, que a esperava na rua, com sede de vingança pelo divórcio em curso, deixou-a bater a porta do prédio.

07 de agosto de 2006 às 00:00

Depois, sem hesitar, regou-a com gasolina e deitou-lhe fogo, provocando-lhe a morte. O homicida fugiu para a aldeia onde residia e enforcou-se. Já na véspera, em Mira de Aire, uma mulher havia sido morta a tiro pelo ex-namorado.

O crime, macabro, aconteceu ontem na Rua Augusto Pina, Alcobaça. Margarida Maria Machado Reis, de 26 anos, tinha-se mudado em Julho para o lote 21. Queria iniciar uma nova vida e consumar o divórcio, já em marcha por via litigiosa. Mas o marido, Paulo José Marmelo, de 37 anos, “nunca aceitou a separação”, conta uma irmã da vítima.

Margarida Reis foi socorrida ainda com sinais de vida e levada ao Hospital de Alcobaça, onde deu entrada já cadáver. As lesões provocadas pelas queimaduras eram demasiado graves. Foram os vizinhos a dar o alerta aos bombeiros: “A minha filha tinha a janela do quarto aberta e deu conta do fumo. Viu-a no passeio a arder e foi a correr avisar-me. Quando cheguei cá abaixo fiquei em estado de choque”, contou Maria José Artilheiro.

Margarida Reis, que trabalhava como empregada de pastelaria na Nazaré, foi deixada na via pública pelo marido e as autoridades recolheram no local o garrafão usado para transportar a gasolina. A jovem foi encontrada consciente pelos vizinhos, que a taparam com um cobertor, mas já quase nada havia a fazer. “Ele estava à espera na rua, porque ela vinha sempre a esta hora passear a cachorra”, afirmavam os moradores do lote 21, que se reuniram à porta do prédio e não calavam a indignação pelo sucedido.

Catarina Carvalho, amiga de Margarida Reis, confirma que o homicida costumava rondar o prédio e conhecia os hábitos da mulher, nomeadamente sabia que se levantava cedo e saía de casa logo de manhã.

Nos últimos dias, chegou a escrever várias mensagens desesperadas pelo telemóvel, sempre no sentido de evitar o fim do casamento que durava há quatro anos, sem filhos. “Ele dizia que se matava, mas não pensámos que lhe fizesse mal a ela”, desabafou Catarina Carvalho, explicando que os papéis do divórcio entraram em Tribunal há três semanas.

Paulo José Marmelo tinha casa em Ataíja de Cima, uma aldeia nos arredores de Alcobaça, e lá se refugiou depois do crime que deixa duas famílias a sofrer. A meio da manhã foi encontrado enforcado, no pátio da moradia, visível da rua, onde família e amigos se juntaram.

A GNR e a PSP estiveram envolvidas nas diligências realizadas ontem, mas o caso transitou para a Polícia Judiciária.

ASSSASSINADA NO ANIVERSÁRIO

Uma mulher foi morta a tiro no sábado, dia em que fazia 53 anos, por um antigo namorado que queria a todo o custo reatar o relacionamento. O homem, de 47 anos, residente em Alcanena e já detido pela Polícia Judiciária, feriu ainda a tiro a filha da ex-companheira, uma jovem de 23 anos. O crime ocorreu em Mira de Aire, na Rua 5 de Outubro, pelas 22h00. Emília Marques, residente em Ourém, tinha acabado de jantar em casa da filha, Teresa Gonçalves, e as duas preparavam-se para sair de carro. Na rua, diante do prédio, o agressor atingiu Emília na nuca e Teresa no ombro e na mão, segundo os bombeiros. Foi apreendida uma pistola de calibre 6.35 mm e quatro invólucros. Júlio Pereira, sogro de Teresa, explicou que a jovem foi sujeita a uma cirurgia nos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde continuava ontem internada.

112 VÍTIMAS EM CINCO ANOS

Nos últimos cinco anos morreram 88 mulheres vítimas de violência doméstica. As estatísticas são da PSP e da GNR e retratam o período entre 2000 e 2005, em que houve um total de 112 homicídios em contextos de violência doméstica – que incluem agressões no seio da família, que culminam na morte.

Este ano, segundo os dados da PSP a que o CM teve acesso, entre Janeiro e Abril registaram--se 3541 queixas de violência doméstica. Destas, 2725 aconteceram entre casais ou companheiros, 82 foram contra menores de 16 anos e 160 contra os próprios filhos. Mas a violência no seio da família não se fica por aqui. Nestes quatro meses, 189 queixas referem-se a agressões dos filhos contra os pais e 385 contra outros familiares. Refira-se que estes dados são apenas da área da PSP, responsável pelas grandes cidades. Também neste período foram identificados 3016 homens agressores e 371 mulheres agressoras. Quanto às vítimas, 2910 são mulheres e 496 são homens.

QUEIMADO COM ÁCIDO

Um homem de 27 anos lançou dois frascos de ácido sulfúrico contra o companheiro da sua ex-namorada, em Loures. O crime aconteceu em Junho de 2005 e o homem acabou por ser detido pela PJ sete meses depois. A vítima esteve internada durante um mês.

ATACOU EX-NAMORADA

Em Janeiro de 2005, um jovem com 20 anos regou e queimou a ex-namorada, por esta se ter recusado a reatar a relação, da qual resultou uma filha com quatro meses. A vítima, Vânia Silva, com 18 anos, foi internada no Hospital da Prelada, no Porto, em estado grave.

MORTO POR CIÚME

Fátima e Nuno Mendes foram, de carro, para uma zona discreta em Carreira de Água, Leiria, em 2001. Aí, a jovem despejou uma garrafa de ácido sulfúrico sobre o namorado, de 23 anos. O jovem morreu 23 dias depois.

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