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"Pessoal, isto é um assalto. Não se mexam para correr tudo bem. Quem se mexer morre”. Estas foram as primeiras palavras dos homens que na passada quinta-feira assaltaram a Ourivesaria Freitas e o Museu do Ouro, no centro da cidade de Viana do Castelo. O Correio da Manhã viu a gravação da videovigilância que gravou um dos assaltos mais violentos dos últimos anos em Portugal e recolheu o testemunho, ainda trémulo, de várias testemunhas.
Pouco passava das dez horas quando a carrinha BMW, de cor escura, estacionou em frente às ourivesarias, apenas para deixar sair cinco encapuzados, dois deles com cabeleira postiça comprida, fortemente armados de revólver e caçadeiras de canos serrados. Um sexto elemento, ao volante do automóvel, executou uma rápida inversão de marcha, preparando o veículo para a fuga.
Três bandidos entraram de rompante na ourivesaria Freitas e, secamente, anunciaram o assalto, dando início a uma terrível manhã, que jamais será esquecida pelos intervenientes e por quem assistiu.
Os outros dois ladrões, como mostram as imagens interiores, captadas em simultâneo, não tiveram qualquer obstáculo em “limpar” rapidamente cerca de 90% do espólio do Museu do Ouro.
“Por momentos pensei que era uma simples brincadeira, mas quando vi mais dois homens armados e de cara tapada a insistirem para que nos deitássemos sem fazer barulho, fiquei sem reacção” conta uma funcionária que testemunhou a violência do assalto. “Ia tudo pelo ar, era uma barulho terrível de montras a cair e vidros a partir, um inferno” garantiu.
E foi precisamente todo aquele espalhafato que chamou a atenção de Rui Gonçalves, gerente de um outro estabelecimento do mesmo proprietário e que fica ao lado da ourivesaria. “Logo que entrei fui recebido por um indivíduo de cara tapada que me apontou a arma à cabeça e ordenou: ‘entra e cala-te’, e eu entrei, claro”.
Ao aperceber-se dos assaltantes, um agente da PSP disparou um tiro para o ar, sendo, de imediato, alvo de violenta resposta. Um dos larápios saiu da viatura e disparou vários tiros sobre os agentes da autoridade. A polícia respondeu com mais tiros e instalou-se a confusão, tendo os bandidos iniciado, precipitadamente, a fuga.
“Dirigi-me à porta e vi um homem com uma cabeleira postiça enorme a apontar a arma para todo o lado enquanto outros dois, pelo menos, também de cara tapada, atiravam sacos e outras coisas a monte para dentro da carrinha. Fugi e abriguei-me no interior da loja, juntamente com um cliente” contou Célia Ferreira, funcionária da loja de decoração, situada em frente.
“Percebi imediatamente que era um assalto, pelos gritos, e pelas pessoas que passavam a correr assustadas. Dei dois passos para fechar a porta, mas a meio do caminho arrependi-me e corri para trás do balcão” explicou Vera Oliveira, que trabalha na agência de viagens, duas portas abaixo. Fez bem. Numa fracção de segundos, um disparo estilhaçou por completo o vidro da porta.
Os assaltantes fugiram, mas um jovem que se suspeita ser um deles, ferido, morreu ontem.
BALEADO MORREU NO HOSPITAL
Bruno Moreira, de 25 anos de idade, residente em Santo Tirso e, ao que tudo indica, um dos participantes no assalto de 5.ª feira ao Museu do Ouro em Viana do Castelo, morreu ontem, pouco depois da meia-noite, na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de S. João, no Porto, vítima de “traumatismo cerebral causado por arma de fogo”.
Bruno Moreira terá sido atingido na cabeça, no momento do início da fuga, por um tiro disparado por um agente da PSP. “O agente estava ao meu lado e da forma como lhe acertou eu vi logo que ele não ia para muito longe”, disse ao CM Rui Gonçalves, o gestor de uma loja próxima da ourivesaria que foi assaltada.
Fonte da investigação disse ao CM que a munição extraída da cabeça de Bruno Moreira é de calibre 7,65 mm, precisamente o calibre das pistolas utilizadas pela Polícia. No entanto, só os exames periciais que já decorrem vão determinar exactamente a arma que efectuou o disparo.
À PROVA DE BALA
Por baixo dos ‘fatos macacos’ que envergavam, os indivíduos que realizaram o assalto ao Museu do Ouro, em Viana do Castelo, tinham coletes à prova de bala. Por isso, dispararam, em plena rua, sem grandes preocupações e para todas as direcções.
CINCO POR CAPTURAR
Tirando o homem que ontem morreu, no Hospital de S. João, no Porto, as autoridades ainda não conseguiram capturar nenhum dos outros cinco indivíduos que participaram neste violento assalto.
QUASE NORMALIDADE
A vida, nas imediações da ourivesaria Freitas e do Museu do Ouro começa a regressar à normalidade. Mas o medo resiste e ainda são muitos os que param e comentam o ocorrido.
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