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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

“Quero ficar só, preciso de me despedir da minha filha”

Pai de Sofia está destroçado e pede que se respeite o momento de dor que a família enfrenta com a morte da menina.

04 de agosto de 2017 às 01:30

"Quero ficar sozinho. É tempo de despedir-me da minha filha. E depois, coser os buracos da família toda". As palavras são de Paulo António, pai de Sofia, a menina de 8 anos que morreu atingida pela avioneta na praia de São João da Caparica, em Almada.

A família de Sofia está destroçada e reunida neste momento de dor. "Respeitem este momento, por favor. Precisamos de estar sós", referiu ao Correio da Manhã Paulo António.

A família reside em Odivelas, onde as meninas frequentam a escola, mas trabalha em Lisboa. O pai de Sofia é informático e sócio da Confidentia, empresa sediada em Santarém, dedicada ao comércio de software para laboratórios de análises clínicas - privados e hospitais.

Segundo apurou o CM, a mãe de Sofia, Susana, trabalha num laboratório de análises clínicas em Lisboa, que pertencerá ao antigo bastonário dos Médicos Germano de Sousa.

Paulo António ainda conseguiu salvar a filha mais nova, Marta, de 6 anos, e os sobrinhos. A família estava de férias há uma semana com familiares na Margem Sul do Tejo. No pânico e confusão, Sofia ficou para trás por ser mais velha e acabou por ser brutalmente atingida na cabeça pela avioneta, que aterrou de emergência no areal.

Sofia – que frequentava a catequese na Paróquia de Nossa Senhora do Amparo de Benfica – teve morte imediata, assim como José Lima, de 56 anos.

No dia da tragédia, o pai da menina de 8 anos descreveu os minutos de aflição que viveu quando reparou que a avioneta se dirigia para o areal. "Disse aos meninos para correrem e disse à Sofia para correr atrás de mim. Quando vi que os outros meninos estavam em segurança, voltei para trás para ir buscar a Sofia, quando a vi ser colhida pela aeronave e constatei que estava cadáver", disse Paulo António, após a tragédia.

Sargento na praia com a neta 

"Foi o Zé Lima que morreu naquela praia da zona de Lisboa atropelado pelo avião". Foi desta forma que a notícia foi espalhada pela localidade de Moselos, nos arredores de Viseu, a terra natal de José Lima, de 56 anos, uma das vítimas do avião que aterrou de emergência na praia de S. João, na Caparica.

O sargento da Força Aérea, na reserva há cerca de um ano, nasceu nesta localidade de Viseu mas partiu jovem para Lisboa, onde ingressou nas Forças Armadas.

A notícia chegou a Viseu já tinha caído da noite de quarta-feira até porque as autoridades ainda levaram algum tempo a identificar José Lima. Na altura em que foi colhido tinha apenas vestido os calções de banho.

"Ele andava na praia só com a neta. Era assim que ele passava os dias. Quando soubemos que era ele a vítima da avioneta nem queríamos acreditar", disse ao CM uma familiar, adiantando: "O Zé Lima era uma pessoa muito divertida e chegada à família. É inacreditável esta situação".

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