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Qualificar para incluir

No Centro de Educação, Formação e Certificação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a formação é uma ferramenta de inclusão. Jovens, adultos, migrantes e refugiados encontram o caminho para uma vida melhor, graças às receitas dos Jogos Santa Casa.

15 de junho de 2026 às 12:25

À porta lê-se a promessa: “Vem encontrar o teu caminho, qualifica-te.” Numa sala, Sourav aprende português; noutra, Miguel aprende a cozinhar; no salão de cabeleireiro, Andreia ensina o que um dia lhe ensinaram. O terceiro episódio da iniciativa Boas Causas traz-nos ao CEFC, o Centro de Educação, Formação e Certificação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, em Alvalade.

Educação como missão

A educação e a formação profissional fazem parte da missão estatutária da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa desde a sua fundação, em 1498. É nesse espírito que funciona o CEFC, em Alvalade, que acolhe cerca de 200 formandos entre os 15 e os 60 anos, estruturados em dois polos. No polo jovens, os cursos garantem dupla certificação, com equivalência escolar ao 12.º ano e qualificação profissional. No polo adultos, a oferta inclui percursos de Educação e Formação de Adultos (EFA), formação modular e o processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). Para migrantes e refugiados existe um projeto específico de inclusão, com formação técnica e aulas de Português como língua de acolhimento.

Segundo a diretora Maria José Moreira, esta é uma missão estrutural: “A educação em formação profissional é uma atividade corrente da Santa Casa, portanto entra no orçamento da Santa Casa, independentemente das candidaturas que poderá vir a ter em termos de financiamento.”

A Santa Casa é também entidade promotora de um Projeto Local Promotor de Qualificação, no âmbito do Programa Qualifica do Estado, um programa nacional criado em 2017 para apoiar adultos que pretendam concluir a escolaridade ou obter uma qualificação profissional, e que desde o seu lançamento já registou mais de 1,2 milhões de inscrições em todo o país.

COZINHA, CABELEIREIRO, CUIDADOS DE BELEZA, INFORMÁTICA, GERIATRIA: A OFERTA É DIVERSIFICADA.

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Sourav Sharker aprende português três dias por semana, quatro horas por dia FOTO: DR

Veio de longe, para ficar

Sourav Sharker chegou a Portugal vindo de longe. Três dias por semana, quatro horas por dia, aprende a língua do país que escolheu para viver. A razão para ter escolhido o nosso país é simples: Em Portugal não há guerra e quer ficar cá no futuro.

No CEFC, Sourav não está sozinho. O percurso de inclusão foi criado precisamente para quem chega sem língua, sem rede, sem referências. O português aprendido em sala abre portas ao emprego, à comunidade, à vida quotidiana num país novo que, de outra forma, permaneceriam fechadas.

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Miguel Tavares está no curso de cozinha. FOTO: DR

O PERCURSO DE MIGUEL ILUSTRA BEM O QUE O CEFC OFERECE. A DUPLA CERTIFICAÇÃO, EQUIVALÊNCIA AO 12.º ANO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL, ABRE DUAS PORTAS AO MESMO TEMPO, A DE COMPLETAR A ESCOLARIDADE E A DE CONSTRUIR UMA CARREIRA EM SIMULTÂNEO.

Uma vocação, uma carreira

Miguel Tavares está no curso de cozinha, mas chegou ao CEFC pela escola. “Fiquei a conhecer a formação através de um conhecido. Comecei no B3, fiz o sétimo, o oitavo e o nono, depois vim para a cozinha, porque me interessa há muito tempo e agora estou a tentar levar isto para frente”, explica.

Na cozinha profissional do Centro, bem equipada e sempre animada, o que mais aprecia, a par da técnica, é a forma de aprender: “uma coisa que eu valorizo muito é a paciência dos chefs para nos ensinar e, ao mesmo tempo, conseguem ouvir as nossas dicas. Não é só uma pessoa a dar informação; nós vemos a maneira de um pensar, depois vemos a maneira do outro pensar. Eu já aprendi muito aqui”, sublinha.

O percurso de Miguel ilustra bem o que o CEFC oferece. A dupla certificação, equivalência ao 12.º ano e qualificação profissional, abre duas portas ao mesmo tempo, a de completar a escolaridade e a de construir uma carreira em simultâneo.

De aluna a formadora

Andreia Bessi chegou ao CEFC com um objetivo claro: qualificar-se como cabeleireira. “Eu recorri a essa instituição para tirar a formação de cabeleireiro, porque queria fazer uma progressão de carreira”, afirma. O que encontrou foi mais do que esperava. “Foram 12 meses muito felizes da minha vida. Tivemos um acompanhamento muito bom que ajudou depois na progressão, para poder trabalhar lá fora enquanto profissional”, recorda.

Depois do estágio, a vontade de ensinar levou-a a completar a certificação de formador. Atualmente está do outro lado da sala a partilhar o que um dia recebeu, “muito feliz a trabalhar aqui na Santa Casa da Misericórdia e sempre a dar aquela parte do incentivo para eles saírem daqui enquanto profissionais, com uma bagagem bastante grande”, diz com entusiasmo. A mensagem que deixa aos formandos é a que melhor define o CEFC: “Nunca deixar de sonhar, porque eu sonhava em ser cabeleireira aos 12 anos e temos aqui uma oportunidade para quem queira levar o seu sonho e poder voar.”

Mais do que apenas formação

O CEFC é, nas palavras da sua diretora, muito mais do que um centro de qualificação. “Nós somos uma ferramenta relativamente ao acompanhamento das situações em termos de ação social e no fundo somos uma ferramenta de otimização das pessoas, criação de autoestima nelas, de valorização delas próprias, daqueles utentes que a gente atende diariamente em termos de ação social”, afirma Maria José Moreira.

Cozinha, cabeleireiro, cuidados de beleza, informática, geriatria: a oferta é diversificada. Mas o propósito vai sempre além da qualificação técnica e passa por devolver a cada pessoa a confiança de que é capaz de construir o seu próprio caminho.

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Maria José Moreira, diretora do CEFC, da Santa Casa FOTO: DR

Aposte em criar impacto

Cada aposta nos Jogos Santa Casa contribui para financiar respostas que raramente são visíveis para quem joga. O CEFC é uma delas. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa recebe 26,52% dos resultados dos Jogos Sociais do Estado, verba que sustenta a sua missão em áreas tão diversas como a ação social, a saúde e a educação, e da qual faz parte o orçamento estrutural do CEFC, independentemente de candidaturas ou financiamentos externos.

“A confiança que os portugueses nos conferem quando decidem jogar num dos jogos da Santa Casa é depois retribuída à sociedade de uma forma tão diversa, mas sempre tão relevante”, afirma o provedor da SCML, Paulo Alexandre Duarte de Sousa. Em 2025, os Jogos Santa Casa entregaram ao Estado 870 milhões de euros e 97,3% do valor gerado retornou à sociedade, em prémios, em apoios sociais, em saúde, em cultura, em formação. A rede de mais de 5.200 mediadores espalhados pelo país sustenta ainda pequenos negócios e famílias em todo o território. É com essa verba que Sourav aprende português, que Miguel cozinha o seu futuro e que Andreia ensina o que um dia lhe ensinaram.

Formação e Números



CEFC — Centro de Educação, Formação e Certificação

  • - Cerca de 200 formandos entre os 15 e os 60 anos;
  • - Formação para jovens, adultos, migrantes e refugiados;
  • - Dupla certificação: escolar e profissional.


Jogos Santa Casa (2025)

  • - 870 milhões de euros entregues ao Estado;
  • - 97,3% do valor gerado retornou à sociedade;
  • - 26,52% dos resultados destinados à SCML;
  • - Mais de 5.200 pontos de venda em todo o país;
  • - Os mediadores contribuem para 17 mil postos de trabalho, diretos e indiretos.
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