As raparigas representam mais de 90 por cento dos atendimentos nos Gabinetes de Apoio à Sexualidade Juvenil (GASJ) do Instituto Português da Juventude (IPJ), aonde vão sobretudo porque têm medo de engravidar e querem tomar a pílula.
Nos primeiros seis meses deste ano, os 15 gabinetes espalhados pelo País somaram 9856 atendimentos, 94,5 por cento referentes a utentes do sexo feminino. Em 2002, houve 19 330 atendimentos, dos quais apenas oito por cento a rapazes.
"Há dúvidas que as mulheres têm mais facilidade em expor", afirma a médica Clarisse Bento, do GASJ de Leiria, o primeiro a ser criado no País, admitindo que para os rapazes "é muito complicado" abordar certas questões quando não são atendidos por homens.
Olhando os motivos do atendimento, no primeiro semestre deste ano, houve 3665 pedidos de informação sobre contracepção e gravidez (88,3 por cento) e 7070 pedidos de apoio sobre métodos contraceptivos (93,6 por cento).
Segundo Clarisse Bento, a vontade de tomar a pílula, relacionada com o medo de uma gravidez indesejada, é a principal razão destes pedidos.
"A maior parte das raparigas procuram-nos porque já iniciaram a vida sexual ou estão para iniciar e querem fazê-lo de um modo protegido", explicou a médica.
Depois, numa percentagem quase residual, vêm as perguntas sobre as disfunções e práticas sexuais, a anatomia e a fisiologia, a orientação sexual e as doenças sexualmente transmissíveis.
Dos 9856 atendimentos efectuados entre Janeiro e Junho, os utentes dos 15 aos 19 anos representam 48,8 por cento e a faixa etária dos 20 aos 24 anos abrange 46,6 por cento.
A contracepção de emergência, conhecida por pílula do dia seguinte, levou aos GASJ apenas 202 jovens.
JOVENS CONHECEM MAL O CORPO
O primeiro Gabinete de Apoio à Sexualidade Juvenil abriu em Leiria há cinco anos. A médica Clarisse Bento, presente desde a primeira hora, afirma que os jovens estão cada vez mais conscientes da sua sexualidade e mostram-se bem informados quanto às doenças sexualmente transmissíveis, mas têm muitas dúvidas e desconhecimento sobre o corpo, em ambos os sexos.
"Há aspectos básicos, relacionados com o funcionamento do aparelho reprodutor, por exemplo, que não têm adquiridos", diz. A educação sexual é obrigatória nas escolas desde 2000, mas, segundo Clarisse Bento, "não se vêem reflexos". Quando os jovens chegam ao gabinete, na maioria dos casos a preocupação é a toma da pílula, para evitar uma gravidez indesejada. Os técnicos lembram então a importância do preservativo para prevenir as doenças sexualmente transmissíveis.
"Aconselhamos sempre ao uso simultâneo dos dois métodos porque são complementares. É nos jovens que estas doenças se transmitem mais", refere Clarisse Bento. O gabinete de Leiria abre à segunda e quarta-feira entre as 15h00 e as 18h00, primando pela tolerância. "O nosso papel é ajudá-los a reflectir", explica a médica.
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