Simone foi interrogada durante mais de três horas no Tribunal de Lousada, de onde saiu acusada de sequestro agravado e sujeita à medida de coacção de prisão domiciliária com pulseira electrónica.
Segundo o CM apurou, a jovem, de 21 anos, confessou à juíza de instrução criminal ter raptado o recém-nascido Sandro Gabriel, no sábado à tarde no Hospital Padre Américo, em Penafiel.
Simone Ferreira assumiu estar "profundamente arrependida" e tentou justificar o crime afirmando ter estado, de facto, grávida mas que sofreu um aborto em Dezembro passado. Alegou que, perante a perda do bebé teve medo que o namorado Márcio a abandonasse e por isso optou por simular a continuidade da gravidez de um rapaz, já que era esse o desejo do namorado.
Durante as últimas semanas planeou o dia do rapto e, na noite em que toda a família pensava que ela estava internada no Porto para ter o bebé de cesariana, refugiou-se num apartamento de amigos em Felgueiras, onde o casal chegou a morar alguns meses. Avisou que o parto era de risco e que não teria direito a visitas.
A uma amiga revelou que tencionava raptar um bebé no Hospital de Penafiel. Terá sido essa amiga que num telefonema anónimo à GNR alertou para o caso. Sábado, Simone entrou no hospital, disfarçou-se de enfermeira e quando viu o filho de Vera Mónica, pegou nele e fugiu. Foi apanhada oito horas depois.
SAÚDE VAI CRIAR MODELO ÚNICO DE SEGURANÇA
A ministra da Saúde, Ana Jorge, assinou ontem um despacho que cria um grupo de trabalho para estudar modelos de segurança nas unidades de saúde com pediatria, neonatologia e obstetrícia. Os peritos têm como missão apresentar, "em breve", uma solução para aumentar a segurança das crianças internadas nas unidades de saúde e evitar os casos de rapto. Hoje, os mecanismos existentes dependem das escolhas de cada hospital. Mas a ideia da tutela é estudar novos métodos (que ofereçam mais garantias) a alargar a todo o País. Serão ainda propostas recomendações para as administrações hospitalares e os diferentes serviços seguirem. A ministra Ana Jorge considera que a gravidade dos casos de crianças raptadas, apesar de raros, justifica novas medidas.
PERGUNTOU PELO NAMORADO
O casaco vermelho que Simone ontem levou para o tribunal é de uma familiar do namorado, que o entregou a um inspector da PJ do Porto. Dentro do tribunal, Simone perguntou pelo Márcio. "Ela só chora, tem os olhos vermelhos de tanto chorar, e diz que só fez isto para não perder o Márcio", disse a familiar. A mãe de Simone não foi ao tribunal porque estava no Instituto de Oncologia do Porto com o pai, que sofre de cancro. Quando chegou a casa, em Sernande, Felgueiras, a mãe e a avó de criação estavam à espera dela com lágrimas e solidariedade. "O quarto está pronto", disse a mãe.
PORMENORES
CHUVA NÃO DESMOBILIZA
Mesmo com chuva, centenas de pessoas cercaram o Tribunal de Lousada para tentar ver a raptora.
APOIO DA FAMÍLIA
Alguns familiares do namorado manifestaram ter compaixão por Simone e até lhe deram apoio e conforto.
SAIU RUMO A CASA
Simone chegou ao tribunal com dois inspectores da PJ, por volta das 11h00, e saiu também com os polícias, às 18h45, rumo a casa.
OPINIÕES DIVIDIDAS
As opiniões populares dividiram--se entre revolta e compreensão.
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