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Relatório confirma abuso de poder e assédio no caso de Boaventura Sousa Santos

Comissão concluiu "indícios de negligência" por parte de cargos do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

13 de março de 2024 às 17:30

O relatório divulgado pela Comissão Independente (CI) conclui que foram provados indícios de comportamentos de abuso de poder e assédio no caso de projetos dirigidos por Boaventura Santos, no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.

O documento, esta quarta-feira partilhado, refere que foram verificados "indícios de negligência na forma como certas questões foram tratadas por parte de algumas pessoas que ocupavam cargos nos órgãos sociais do CES, bem como de pessoas que estavam hierarquicamente em posições díspares".

A CI refere que as atividades de integração informais acabaram a "gerar situações inadequadas ao contexto académico, bem como indícios de ausência de uma política de acolhimento institucional".

O relatório fala ainda de situações em que estudantes e investigadores estrangeiros, com culturas diferentes, constituíram grupos "mais vulneráveis a possíveis abusos de poder e assédio".

Em 2023 um grupo de mulheres entregou um dossiê à CI, criada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, a denunciar nove casos de assédio que terão ocorrido em projetos dirigidos por Boaventura de Sousa Santos.

Três investigadoras que passaram pelo CES da Universidade de Coimbra denunciaram situações de assédio num capítulo do livro intitulado "Má conduta sexual na Academia - Para uma Ética de Cuidado na Universidade", o que levou a que os investigadores Boaventura Sousa Santos e Bruno Sena Martins acabassem suspensos de todos os cargos que ocupavam naquela instituição.

O CES acabou por criar uma Comissão Independente, que iniciou funções a 1 de agosto e que estipulou que as denúncias de alegadas situações de assédio deveriam ser submetidas até 30 de setembro.

De acordo com o coletivo de mulheres, as nove denúncias enviadas à Comissão Independente reportam-se "a situações de assédio ocorridas em atividades, projetos ou grupos de pesquisa dirigidos por Boaventura de Sousa Santos", o que inclui situações de "assédio moral e sexual praticado por este, como também por membros da sua equipa, a quem delegava poderes".

Terão ocorrido "entre 2000 e 2023", e dizem respeito a nove mulheres de Portugal, Brasil, Espanha, México e Peru.

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