Um milhão de euros em ouro, jóias e relógios." Este é o prejuízo dos proprietários da Ourivesaria Tomé, junto ao mercado de Almada, depois de um assalto com contornos de filme que ocorreu na madrugada de ontem.
Às 4h20, a proprietária da Ourivesaria – que pediu ao CM para não ser identificada – recebeu no telemóvel o aviso que o seu estabelecimento estava a ser assaltado. "Como moro perto daqui, meti-me no carro e fui logo para o local. Não consegui lá chegar pois os ladrões bloquearam a rua com um carro", explicou.
Quando chegou ao estabelecimento, já os ladrões se tinham ido embora. "Arrombaram a montra com um jipe Nissan Patrol e três deles entraram na ourivesaria. Em cinco minutos ‘limparam’ as prateleiras que tinham os objectos de maior valor. Souberam escolher as jóias de gama alta, o ouro e os relógios mais valiosos. Nem se preocuparam com a prata que estava nas prateleiras mais baixas."
O CM apurou que o gang era composto por quatro indivíduos, mas apenas três entraram na ourivesaria. O outro elemento aguardou ao volante de um BMW M3 de cor escura no qual fugiram a alta velocidade. A PSP ainda conseguiu detectar o veículo perto de Corroios, mas perdeu-lhe o rasto ao chegar à Quinta da Princesa. O carro foi recuperado horas depois nesse mesmo bairro, mas não havia nenhum sinal dos ladrões.
Certo é que os três veículos foram roubados com antecedência e o roubo muito bem planeado. De acordo com o relato de comerciantes locais, o Nissan Micra usado para bloquear a rua esteve estacionado durante dois dias em frente à ourivesaria Tomé. Foi a sua retirada do lugar de estacionamento que criou espaço para o jipe abalroar a montra.
O roubo ficou registado no sistema de videovigilância, mas os três indivíduos que entraram na ourivesaria estavam encapuzados. As imagens estão na posse da Polícia Judiciária, que esteve ontem à tarde no local para recolher indícios que possam conduzir aos assaltantes. – *com Joissayed Ramos l
OBRIGADOS A PAGAR À POLÍCIA
O sentimento de insegurança no centro de Almada está tão elevado que alguns comerciantes estão a pagar à PSP para efectuar serviço à porta dos seus estabelecimentos. Arlindo Lourenço, proprietário de uma casa de penhores especializada em objectos de ouro na porta ao lado da Ourivesaria Tomé, contou ao CM que para evitar ser assaltado – costuma ter jóias muito valiosas em exposição na montra – solicitou à PSPde Almada a presença de um agente durante o horário de funcionamento. Por esse serviço gratificado paga cerca de 1500 euros por mês: "Tem de ser. Toda a gente sabe que uma ourivesaria tem mais valores nos interior do que qualquer banco e é mais fácil de assaltar." Arlindo Lourenço acusa ainda as autoridades de serem brandas com os criminosos. "Quem escolhe ser polícia tem o dever de proteger os cidadãos, mas o que vejo é tudo sentado à secretária e ninguém nas ruas a cumprir a missão para a qual é pago".
SEM RESPOSTA DA CÂMARA HÁ QUATRO MESES
O CM teve acesso a um documento da Câmara Municipal de Almada que comprova a entrada nos serviços municipais de um pedido para a "colocação de impedimentos físicos no passeio" nas zonas envolventes ao mercado de Almada. O objectivo seria a colocação de pilaretes que impedem, por exemplo, a projecção de um veículo contra as montras. O pedido deu entrada no dia 29 de Novembro do ano passado, mas até agora não houve resposta. Arlindo Lourenço, dono da Crepalma, acusa a Câmara de não querer perder lugares de estacionamento pago e só não fez o obra por conta própria "porque a seguir era multado de certeza".
O CM tentou contactar o Departamento de Trânsito, Rede Viária e Manutenção da Câmara almadense, mas, devido à tolerância de ponto, não obteve resposta.
APONTAMENTOS
SANGUE
Pelo menos um dos indivíduos que entraram na ourivesaria Tomé cortou-se durante o assalto e deixou marcas de sangue em várias paredes e prateleiras do estabelecimento.
GUARDA-NOCTURNO
O Mercado de Almada, situado a cerca de dez metros da Ourivesaria Tomé, tem um guarda--nocturno. Foi este funcionário quem ligou para a PSP a denunciar o Lassalto.
ALARME NO TELEMÓVEL
A proprietária da Ourivesaria Tomé foi alertada para o assalto assim que os ladrões "tocaram na grade". O sistema de alarme instalado na loja está preparado para comunicar de imediato a ocorrência para o telemóvel. Não foi suficiente.
DANOS NA FACHADA
A montra da loja ficou com os pilares de granito e as lajes de suportes partidas devido à violência do embate.
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