Os irmãos João e Gonçalo Rocha, que exploram a discoteca K-Klube e o restaurante Kasablanca, ambos em Vilamoura, através do grupo K, estão em conflito com a Guarda Nacional Republicana de Loulé devido à forma “coerciva” como foi realizada uma acção de fiscalização aos dois estabelecimentos, na madrugada do dia 4 deste mês.
O CM apurou junto de fonte policial que, após uma primeira fiscalização efectuada no dia 24 de Julho, em que foram detectadas irregularidades relacionadas com os alvarás das duas casas, a GNR procedeu a nova intervenção no dia 4, altura em que foi emitida uma ordem de “remoção” da infracção à lei do ruído, projectado para a via pública pela discoteca K-Klube. Segundo a mesma fonte, a medida resultou de “centenas” de reclamações apresentadas às autoridades, por moradores da zona, alegadamente incomodados com o ruído proveniente do estabelecimento.
Na sequência da acção policial, a advogada do grupo K, também proprietário da discoteca Kapital e do bar Kremlin, em Lisboa, contestou, em documento enviado ao governador civil de Faro, a ordem emitida pela GNR, numa perspectiva de “prevenir um eventual abuso de autoridade por parte da GNR”, face à forma “coerciva” com que os militares deram ordem de remoção de equipamentos existentes no estabelecimento.
“Os equipamentos em causa estão em conformidade com a lei, pelo que a sua remoção implicaria um abuso de autoridade e de competência da GNR. Com receio de que houvesse esse abuso de autoridade fizemos a exposição às autoridades”, disse ao CM Paulo Dâmaso, administrador do grupo K, que alega ter a intervenção policial resultado de “manobras de vingança” promovidas por uma moradora local.
O governador civil de Faro, António Pina, confirmou ao CM a recepção da contestação feita pela representante legal do grupo, Maria Edite Santos, documento que remeteu ao comando distrital da GNR a fim de obter mais informações sobre o processo. “A lei é para se cumprir e, se houver ilegalidade, temos de reunir esforços para que a legalidade seja reposta”, garantiu António Pina.
O CM apurou junto de fonte policial que o não cumprimento da ordem dada pela GNR de Loulé já foi comunicado ao Tribunal, pelo que o processo deverá seguir para julgamento.
LICENÇA SÓ PARA RESTAURANTE
O restaurante Kasablanca, inaugurado no dia 24 de Julho, tem alvará de restaurante emitido em nome da Lusotur, mas não possui licença para funcionar como discoteca, disse ao CM o presidente da Câmara de Loulé.
Segundo Seruca Emídio, o grupo K contactou os serviços urbanísticos da autarquia com vista à apresentação de um projecto de intenção de regularizar a situação, documento que esta semana ainda não dera entrada no referido departamento.
“Infelizmente, este é um processo usual no que diz respeito a casas que só funcionam no Verão. Fazem a proposta de apresentação do projecto de intenção mas acabam por fechar e nunca chegam a regularizar a situação”, disse Seruca Emídio, que garante encerrar o estabelecimento no próximo ano, caso a situação se mantenha.
João Rocha iniciou a actividade como empresário de diversão nocturna com o irmão Gonçalo quando tinha apenas 16 anos, na altura em que o pai, também chamado João Rocha, antigo presidente do Sporting, abriu uma discoteca na própria casa para se divertirem.
Os dois irmãos saltaram depois para a via profissional com a abertura da Kapital e do Kremlin, em Lisboa, onde abriram mais tarde o restaurante Kais. No Algarve exploram as discotecas K-Klube e Kasablanca. Antigo dirigente da Juventude Leonina, que fundou com o irmão, João é casado com Patrícia Rocha e tem quatro filhos.
Em breve abrirá a Kasa da Praia, no Porto, projecto que tem vindo a ser elaborado nos últimos dois anos.
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