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Correio da Manhã

Portugal
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Salva família e animais de morrerem queimados

Durante duas horas, José Eduardo, de 60 anos, lutou contra as chamas no sítio da Eira Cavada. Mãe e tios foram levados por vizinho.
Ana Palma e Rui Pando Gomes 11 de Agosto de 2018 às 01:30
José Eduardo, 60 anos, com a mãe, Maria Margarida, de 83, junto à casa e ao tanque de onde o morador retirou água com baldes para salvar a habitação e animais
José Eduardo, 60 anos, com a mãe, Maria Margarida, de 83, junto à casa e ao tanque de onde o morador retirou água com baldes para salvar a habitação e animais
José Eduardo, 60 anos, com a mãe, Maria Margarida, de 83, junto à casa e ao tanque de onde o morador retirou água com baldes para salvar a habitação e animais
Incêndio em Monchique
7º dia de incêndio em Monchique
Incêndio em Monchique
Combate ao incêndio
Incêndio em Monchique
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José Eduardo, 60 anos, com a mãe, Maria Margarida, de 83, junto à casa e ao tanque de onde o morador retirou água com baldes para salvar a habitação e animais
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Incêndio em Monchique
Cercado pelo fogo junto ao curral dos porcos, que tentava salvar, no sítio da Eira Cavada, em Monchique, José Eduardo, de 60 anos, diz que se salvou "por milagre".

"O fogo chegou à minha casa pela 01h00 da madrugada. Eu tinha conseguido passar a barreira montada na EN266, que estava cortada pela GNR, porque expliquei que tinha lá a minha mãe, de 83 anos, uma tia debilitada e um tio, com Alzheimer, com 82 anos. Ninguém os tinha vindo retirar", contou ao CM, adiantando ter vivido "momentos de terror".

"Disse a um vizinho meu para fugir e levar com ele a minha mãe e os meus tios, que foram para o Portimão Arena, onde ficaram em segurança", adiantou José Eduardo, que durante duas horas viu as chamas destruírem-lhe "o pomar de citrinos, os medronheiros, os sobreiros, as vedações dos animais, a casa das rações e das alfarrobas e seis porcos". No terreno de 6,5 hectares que José Eduardo possui na Eira Cavada, ardeu quase tudo. "Mas consegui salvar a casa, os cães, as cabras, galinhas e três porcos", revelou, emocionado.

Apesar do risco que correu ao decidir ficar para proteger os bens, o morador garante que só não perdeu tudo porque não se foi embora. "O fogo desceu o monte num instante, vindo de poente, nascente e norte. Com a ajuda do meu filho e de um amigo, consegui, a muito custo, evitar que a casa ardesse. Sobrevivemos usando a água de um tanque que carregámos a baldes para impedir que as chamas, que já lambiam as paredes, consumissem tudo", relatou.

Mas foi quando se dirigiu ao curral dos porcos, para tentar salvar os animais, que José Eduardo pensou que "ia morrer": "Encostei-me à parede do curral com as chamas a passarem-me por cima e fugi assim que pude. Foi um milagre. Podia ter morrido ali".

Mulher que ficou queimada a salvar os bens recupera 
A mulher, 72 anos, que ficou ferida com gravidade na zona de Alferce continua internada no Hospital de S. José, em Lisboa, a recuperar das queimaduras que sofreu. Segundo o CM apurou, a idosa e o neto tentaram salvar a casa e os bens com recurso a uma mangueira mas não conseguiram fugir do fogo a tempo.

Pinheiros doentes em risco de cair
A falta de limpeza de um pinhal e o mau estado de parte dos pinheiros está a preocupar os moradores na rua dos Pinheiros, em Toco, Amor, no concelho de Leiria. Desde 2015 que reclamam uma intervenção da junta de freguesia, da Câmara de Leiria, da GNR e da Proteção Civil, mas até agora não obtiveram qualquer resposta.

"Os pinheiros estão podres e cheios de bichos, estou sempre com medo que caiam em cima da minha casa ou dos vizinhos", disse ao CM Vítor Sousa, um dos moradores na rua dos Pinheiros. Outra moradora, Júlia Gaspar, diz que o mau estado do pinhal "é um perigo em caso de incêndio". "E não se pode ir à rua, por causa do veneno das lagartas, já fomos todos para o hospital".

PORMENORES
Idosa chocada
Maria Margarida, de 83 anos, a mãe de José Eduardo, lamentou ao CM a destruição causada pelo fogo, da qual só se apercebeu na totalidade quando voltou a casa: "Isto era tão bonito, agora está tudo queimado".

Javali morre queimado
Enquanto José Eduardo lutava contra o fogo, um javali foi apanhado pelas chamas. O cadáver do animal foi depois enterrado pelo morador, no seu terreno.

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