Políticas internas têm passado por "usurpação de funções" por parte dos oficiais e "um atropelo ao estatuto dos militares da GNR".
A Associação Nacional de Sargentos da Guarda (ANSG) alertou esta segunda-feira para "a indignação" existente na classe devido à forma como o comando-geral da GNR está a desvalorizar as funções dos sargentos, que estão a ser substituídos por oficiais.
Em comunicado, a ANSG indica que os sargentos da Guarda Nacional Republicana estiveram reunidos este fim de semana, onde deram conta do "sentimento generalizado" de indignação e desmotivação, além de acusarem o comando-geral da GNR de "desrespeito funcional da categoria profissional".
Em causa estão, segundo o presidente da ANSG, as políticas internas do comando-geral nos últimos tempos, que têm passado por uma "usurpação de funções" por parte dos oficiais e "um atropelo ao estatuto dos militares da GNR".
José Lopes contou à Lusa que os oficiais da GNR estão a substituir os sargentos e estes, por sua vez, estão a desempenhar funções da categoria de guarda.
O responsável sublinhou que um sargento tem como funções comando e chefia, mas atualmente estão resumidas "a meras funções executivas e administrativas".
O presidente da ANSG considerou também que esta situação está a acontecer porque a GNR tem "muitos militares na categoria de oficial" e, por sua vez, "os sargentos estão mal distribuídos" e há uma falta de guardas.
Segundo a ANSG, atualmente existem 2.400 sargentos na GNR.
"O problema não são os números. O problema está na gestão. Todo o dispositivo da GNR está mal gerido", precisou, acrescentando que "os sargentos estão a desempenhar funções que não são deles, mas sim do posto inferior".
José Lopes frisou que a "desvalorização da categoria e funções está a causar desmotivação e indignação".
"As políticas internas do comando, através de ações pretensiosas e ou omissões, que se refletem em particular na categoria de sargentos, num desrespeito das funções estatutárias, remuneratórias e colocacionais, sobrepondo o interesse da instituição à satisfação de vontades que ao longo do tempo se têm vindo a revelar ineficazes e contrárias à persecução da segurança pública e dos cofres do erário público", escrevem os sargentos, num comunicado que saiu da reunião.
A ANSG sublinha ainda que "da reunião ressaltou um denominador comum, a indignação e forte coesão dos sargentos da Guarda, para o combate à ingratidão e desrespeito funcional da sua categoria profissional, através de condutas reiteradas da parte do comando da Guarda".
Associação Nacional de Sargentos da Guarda pediu uma reunião ao ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, para alertar para esta situação e abordar outros temas que consideram importante, como a valorização remuneratória, funções estatutárias e formação profissional.
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