Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

Seis casas roubadas no espaço de um dia

Seis casas nos arredores de Loulé foram alvo dos gatunos no espaço de apenas 24 horas, aumentando o clima de insegurança que se vive no concelho devido à concentração de toxicodependentes na zona da fábrica da Cimpor.
29 de Dezembro de 2006 às 00:00
Nem o cão de Maria Isabel Joaquina impediu o furto na sua vivenda no sítio de Vale Telheiro
Nem o cão de Maria Isabel Joaquina impediu o furto na sua vivenda no sítio de Vale Telheiro FOTO: Rui Pando Gomes
O caso de Maria Isabel Joaquina, viúva, 77 anos, residente no sítio de Vale Telheiro na freguesia de S. Sebastião, é ilustrativo. Anteontem à tarde ausentou-se de casa hora e meia para ir ao Centro de Saúde de Loulé e quando regressou a porta da residência estava completamente partida e o interior todo em alvoroço. “Furtaram-me todo o ouro que possuía”, explicou a septuagenária ao CM, desgostosa pelo desaparecimento “dos brincos de ouro herdados da mãe”.
O facto de não ter dinheiro em casa impediu que o furto fosse mais elevado, mas Maria Joaquina deixou de viver sossegada. “Já tinha ouvido falar desta onda de assaltos nos arredores de Loulé, mas tinha esperança de que o meu cão os afugentasse.”
Afinal, partir a fechadura foi tarefa fácil e os larápios nem se preocuparam com os vestígios. “Deixaram uma lima no chão e fizeram as necessidades no quintal”, queixa-se.
O problema é conhecido pelas forças de segurança, com uma fonte a reconhecer que “o problema reside na grande comunidade de toxicodependentes na zona da fábrica da Cimpor, que fazem estes assaltos nas redondezas”, que vê como solução, “expulsar os vendedores da zona”, embora reconheça ser “uma luta inglória”.
POPULAÇÃO PREPARA PROTESTO
O concelho de Loulé tem sido alvo de dezenas de assaltos que se acentuaram ultimamente. Só em Dezembro já se registaram assaltos à mão armada a uma ourivesaria, a dois postos de combustíveis (Salir e Boliqueime) e furtos nas instalações do edifício principal da Câmara e do supermercado Modelo. Horácio Piedade, presidente da Junta de Freguesia de São Sebastião, reconhece esta realidade e afirma “ter dificuldade em evitar uma manifestação há muito reclamada pela população”. O autarca julga ser “prejudicial para a imagem do concelho e da região esta medida extrema”, mas não vê outra solução para o problema. “A GNR faz uma operação junto à Cimpor, os toxicodependentes vão para outro sítio e os assaltos apenas mudam de local.”
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)