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Sem vacinas para África

A vacina contra a febre amarela, obrigatória para entrar em países como Angola ou São Tomé e Príncipe, está esgotada em Lisboa há duas semanas. Para adquiri-la, é preciso ir ao Porto ou Faro, únicos pontos do País onde ainda existem. A Direcção-Geral de Saúde confirma a ruptura de ‘stock’. Adianta que a reposição é provável em dois ou três dias, mas não garante a data.

15 de março de 2006 às 00:00

Amélia Santos tem viagem marcada para Angola. “Embarco dia 23 e ainda estou à espera de vacinação contra a febre.” A empresária contactou atempadamente o Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

“Há cerca de duas semanas contactei o Instituto e disseram-me que a vacina tinha esgotado em Lisboa. Liguei então ao Centro Internacional de Vacinação, onde me pediram para aguardar. Fui telefonando todos os dias e a resposta era igual: ‘Tem de aguardar.”

Ontem, contactou novamente o Centro. Responderam-lhe para esperar mais uns dias ou para se deslocar ao Porto ou a Faro.

A Direcção-Geral de Saúde (DGS), contactada pelo CM, confirma a ruptura de ‘stock’. “Não existem vacinas em Lisboa”, diz Ana Morais. “O laboratório responsável pela entrega das vacinas [Sanofi] esgotou o ‘stock’. Penso que em dois ou três dias o medicamento será reposto no mercado.” No entanto, não há certezas quanto ao dia da reposição efectiva. “Não podemos garantir uma data concreta.”

ADIAR FÉRIAS

Fonte do Centro de Vacinação Tropical confirma que as vacinas esgotaram em Lisboa “no dia 7 de Março” e que a solução tem sido pedir algumas aos centros “do Porto e de Faro”. Adianta que a estratégia passa ainda por convencer as pessoas que vão de férias a mudar a data de partida.

“Estamos a tentar sensibilizar as pessoas que vão para países africanos em férias, no sentido de adiarem a viagem.”

O CM tentou contactar o laboratório responsável pela distribuição da vacina (denominada stamaril), mas até ao fecho da edição foi impossível.

RISCO NA COMITIVA DE SÓCRATES

José Sócrates desloca-se a Angola no dia 4 de Abril, em viagem oficial do Governo. O Primeiro-ministro tomou a vacina contra a febre amarela no ano passado, mas leva consigo uma comitiva de cerca de cem pessoas, entre as quais algumas que ainda não tomaram a vacinação, obrigatória para entrar naquele país africano. Oitenta empresários e muitos jornalistas estão assim em risco de não seguir viagem até Luanda, por falta de condições.

A deslocação está em risco no caso de as vacinas não chegarem no prazo previsto pela Direcção-Geral de Saúde. Manuel Pinho, Ministro da Economia, está inserido na comitiva que acompanha o primeiro-ministro nesta viagem de carácter empresarial, que visa relançar as exportações portuguesas em Angola.

DESTINOS

Angola, S. Tomé e Príncipe, Congo, Camarões, Venezuela, Panamá, Ruanda, Equador, Mali ou Mauritânia são alguns dos países onde a doença continua a manifestar-se.

AGÊNCIAS

Uma das agências de viagem contactadas pelo CM confirmou a existência do problema, apesar de, até ao momento, ainda não existirem viagens adiadas por falta da vacina.

A DOENÇA

A febre amarela é uma doença infecciosa, transmitida por mosquitos, que se manifesta por um estado febril. Nos casos mais graves, podem surgir vómitos e hemorragias.

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