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SMS prova contradições em entrevista

Antigo primeiro-ministro disse na RTP que não tinha relação qualquer com Ricardo Salgado, mas jantou na moradia em abril de 2014.

16 de outubro de 2017 às 08:42

José Sócrates disse na entrevista dada à RTP, já após a dedução da acusação, que não tinha relação com Ricardo Salgado. Não são pessoas próximas, não faz parte do seu grupo de amigos, não é visita de sua casa e nem frequentam sequer os mesmos espaços. Uma mensagem junta ao processo Marquês prova, no entanto, precisamente o contrário. "Amanhã jantar às 20h30 na casa do Dr. Ricardo Salgado, rua Pedra da Nau, 141, Cascais. Também vai Henrique Granadeiro", dizia um SMS da secretária Maria João para José Sócrates.

A mensagem foi enviada a 21 de abril de 2014, quando se vivia a crise no BES e confrontada com ela, a secretária Maria João Santos não negou, disse apenas "não ter ideia" desse jantar. Acrescentou ainda que, apesar de não ter memória, "acredita" ter feito essa marcação.

Maria João explicou, num depoimento prestado a 26 de janeiro deste ano, que era normal marcar almoços e jantares para o antigo primeiro-ministro. Em relação ao antigo presidente do BES, a secretária disse que "quase não tem ideia", de marcar jantares. Acrescentou, no entanto, que não quer dizer que não tenham acontecido, apenas não se recorda. Já em relação a Henrique Granadeiro, ex-presidente da PT, Maria João tem as lembranças mais vivas. Admite que agendou encontros, até porque Sócrates tinha "mais relação" com Granadeiro.

Maria João foi ainda confrontada com o dinheiro que recebia de Sócrates. A acusação diz que a secretária tinha um salário de 2 mil euros, mas aquela nega. Maria João, que oficialmente trabalhava para o PS, diz que apenas "colaborava" com o antigo primeiro-ministro, diz que Sócrates apenas a ajudava quando tinha dificuldades. Referiu aliás que o patrão lhe emprestou 5 mil euros, dinheiro que à data do depoimento ainda lhe devia. Garantiu que lhe vai pagar "euro por euro".

A secretária foi ainda questionada sobre os motivos que levaram a que a sua filha e o marido comprassem num só dia 65 livros de Sócrates, intitulados ‘A Confiança no Mundo’. Gastaram mais de mil euros e passaram as faturas em nome de Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, e de Olímpia Viseu, ex-mulher do motorista João Perna. Maria João disse que não tinha conhecimento destas compras, mas acrescentou que o marido e a filha "não cometeram qualquer crime".

Câncio apresentou Henrique Granadeiro ao namorado 

Granadeiro explicou ainda que manteve com Salgado uma amizade ao longo dos anos, que se estreitou quando assumiu as funções na PT.

Salgado pede que Zeinal Bava dê luz verde à mudança de nome do MEO Arena

Em 2012, aquando da elaboração da proposta por consórcio que integrava o BES para a compra do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, Ricardo Salgado recebeu vários telefonemas a alertá-lo da importância do contrato de patrocínio com a PT para a denominação futura do pavilhão como MEO Arena.

Segundo a acusação, Salgado ligou a Zeinal Bava, então gestor da PT,  a pedir luz verde ao contrato. Bava outorgou o contrato, só do nome, por um milhão de euros, por ser uma "decisão importante para o BES".

Balsemão pediu que Salgado desbloqueasse negócio da SIC 

No âmbito dessa negociação, a 20 de dezembro de 2011, Ricardo Salgado recebe um telefonema de Pinto Balsemão, que "estaria aflitíssimo e lhe solicitou os bons ofícios para desbloquear a negociação entre a Impresa e a PT". Segundo a acusação do Marquês, depois de informado, Zeinal Bava acatou a ordem do ex-líder do BES para que "avançasse para fechar o negócio". Mais uma vez, era Ricardo Salgado quem comandava as decisões cruciais da PT, através dos seus administradores.

Ainda nessa ocasião, Salgado deu instruções para que Bava "fizesse alguma coisa" em relação ao concurso lançado para a construção do ‘data center’ da PT na Covilhã.

A Opway, empresa do Espírito Santo (GES) que agregava empresas das áreas da construção, imobiliário e indústria, estava na corrida. Sem mais demoras, Zeinal Bava "respondeu-lhe que assim o faria". De facto, viria a ser a Opway a empresa escolhida para a construção do edifício da Portugal Telecom na Covilhã.

PORMENORES 

Conheceram-se em 1994

Maria João explicou no processo que conheceu Sócrates em 1994 e que chegou a ser a sua secretária oficial quando este foi primeiro-ministro, entre os anos de 2006 e 2011.

Pagava despesas

A secretária admitiu no processo Marquês que pagava as despesas de Sócrates através da sua conta bancária, nomeadamente os impostos do antigo primeiro-ministro.

Ajudou nos lançamentos

Nos lançamentos do seu livro quer em Lisboa, quer no Porto, Sócrates contou com a ajuda de Maria João. Pagou-lhe todas as despesas que teve com viagens e também com hotéis.

Confrontada com escutas

Durante o seu depoimento, Maria João foi confrontada com diversas escutas telefónicas onde pedia dinheiro a José Sócrates. Pedia para que este lembrasse o motorista de fazer as "entregas".

Pagava despesas

A secretária admitiu no processo Marquês que pagava as despesas de Sócrates através da sua conta bancária, nomeadamente os impostos do antigo primeiro-ministro.

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