O proprietário de uma vivenda na Póvoa de Santa Iria, em Vila Franca de Xira, mal entrou em casa, na madrugada de 26 de Agosto, foi atacado por um assaltante encapuzado que entrara pela janela. O dono da casa, de 63 anos, resistiu e os gritos acabaram por espantar o ladrão. Mas as autoridades, cada vez mais preocupadas com este tipo de crime, consideraram o episódio um golpe de sorte: regra geral, os assaltos à mão armada a residências são violentos.
No primeiro semestre deste ano a PJ já recebeu 28 processos de assaltos à mão armada a residências com os proprietários lá dentro, 21 dos quais na área de actuação da Directoria de Lisboa. Os números revelam apenas ataques com armas de fogo comunicados à Judiciária: ficam de fora os assaltos em que são usadas facas e bastões.
Apesar de os números fornecidos pela PJ relativos ao ano passado indicarem um total de 74 casas assaltadas por ladrões armados e, no primeiro semestre deste ano, já terem sido comunicados 28 crimes idênticos, fonte da GNR disse ao CM que na área de actuação da Guarda estes crimes têm aumentado.
De acordo com a mesma fonte, normalmente os ladrões actuam em grupos (sempre mais do que um assaltante) e escolhem o final do dia para entrarem nas residências. “Muitas vezes apanham as famílias a ver televisão ou já a descansar. Começam por roubar os valores mais à vista, como o ouro das vítimas e os telemóveis”, disse.
Foi o que aconteceu a um casal de Santa Maria da Feira em Abril de 2005: os dois foram assaltados por ladrões que lhes levaram 100 mil euros em ouro e em dinheiro e ainda os agrediram.
Em alguns casos mais graves os grupos de assaltantes mantêm a família sequestrada enquanto um dos elementos do grupo vai efectuar levantamentos de dinheiro em multibancos próximos. Os roubos registados na zona da GNR são, normalmente, feitos por homens de cara descoberta, mas munidos de armas de fogo.
No ano passado a Polícia Judiciária investigou 74 casos: dois foram investigados pela Directoria de Coimbra, cinco pela de Faro, 14 pela do Porto e 53 pela de Lisboa. No primeiro semestre deste ano, só em Lisboa, a PJ registou 21 assaltos à mão armada a residência – mais de três por mês.
PJ INVESTIGA
Fonte da PJ contactada pelo CM admite que número de crimes desta natureza é uma pequena parte das ocorrências com armas de fogo e nos crimes contra o património.
Ainda assim, a maior parte dos assaltos a residências investigados pela PJ acabam com a mesma conclusão: tratou-se de um ajuste de contas. “Actuam em grupos de três a quatro suspeitos, que já têm conhecimento prévio do visado. Muitas vezes há conexões com outras situações criminosas e o assalto é premeditado”. Locais como Damaia e Cova da Moura, no concelho da Amadora, são propícios a estas ocorrências, “porque há um grande potencial de violência”, disse.
“Antes quem furtava fugia, agora a resposta é mais pesada. Quem rouba e usa uma arma sabe que pode haver confrontação e que pode acabar em homicídio”, concluiu a mesma fonte.
PSP MAIS PREOCUPADA COM FURTOS
Nos grandes centros urbanos a preocupação da PSP incide sobre os furtos em residências quando os donos não estão em casa. De acordo com o Relatório de Segurança Interna do ano passado, os crimes contra o património representam 50 por cento das ocorrências participadas à PSP: a maior parte refere-se a furtos em residências e em viaturas.
A PSP criou a ‘Operação Férias’ para reforçar a vigilância das casas vazias. Segundo uma fonte policial, os assaltos à mão armada a residências ainda não são alarmantes como os casos de ‘carjacking’ (roubo de carro com violência). Mas, na área de actuação da GNR, mais rural, os assaltos – sejam estes crimes cometidos por ajustes de contas ou por outro motivo – já estão a alarmar os militares. “Este crime tende a aumentar”, disse ao CM fonte da GNR.
SANTARÉM
Uma mulher de 79 anos, residente em Santarém, enfrentou um assaltante em casa, que a ameaçou de morte com uma faca. A septuagenária conseguiu frustar o assalto, em Outubro do ano passado, quando encontrou o suspeito dentro de casa. O suspeito está preso.
TORRES NOVAS
Dois homens de cara tapada e luvas assaltaram, em Agosto do ano passado, uma residência em Torres Novas. Quando foram surpreendidos pela proprietária apontaram-lhe a arma e fugiram com ouro.
SINTRA
Por um fio de ouro e dois telemóveis, três homens assaltaram uma residência na Tapada das Mercês, em Sintra, e balearam uma das proprietárias – uma mulher grávida que perdeu o bebé. O crime ocorreu em Dezembro último. No mesmo concelho, mas em Monte Abraão, um homem foi ameaçado em casa, com facas, por três assaltantes.
ASSALTOS À MÃO ARMADA A RESIDÊNCIAS (até 31 de Julho de 2006)
PORTO
2005: 14
2006: 5
COIMBRA
2005: 2
2006: 1
LISBOA
2005: 53
2006: 21
FARO
2005: 5
2006: 1
TOTAL
2005: 74
2006: 28
05/06: 102
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