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Correio da Manhã

Portugal
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Torturam outro filho antes de matar bebé

Pai circuncidou bebé a sangue-frio.
Ana Botto 23 de Fevereiro de 2015 às 08:37
Justiça só despertou para o terror vivido na casa da família quando Leonor morreu, no último verão
Justiça só despertou para o terror vivido na casa da família quando Leonor morreu, no último verão FOTO: João Santos

Benjamim, o irmão da bebé Leonor que os pais mataram, tinha apenas um ano quando, em julho de 2014 – um mês antes de a irmã ter sido mergulhada em água a ferver – foi circuncidado a sangue-frio, com uma tesoura de costura, pelos mesmos progenitores. Emanuel Mário e Cláudia Silva estão acusados pelo homicídio qualificado de Leonor, aos quatro meses, por violência doméstica e ainda por ofensas à integridade física contra o filho sobrevivente do casal, agora com 16 meses e entregue a uma casa de abrigo.

Segundo a acusação, a mãe, de 33 anos, disse ao marido que o bebé "tinha o prepúcio vermelho e inchado". O pai, com o consentimento da mulher, decidiu ser ele a circuncidar Benjamim em casa. Não chamou o médico ou assistência hospitalar. Muniu-se de uma tesoura de costura e deu a beber vinho tinto ao bebé para evitar que chorasse.

Enquanto o pai cortava o prepúcio do pénis, a mãe agarrava o bebé pelos braços, mãos e pernas. Para calar o choro convulsivo, Emanuel voltou a dar-lhe um copo de vinho. Nos dias seguintes à circuncisão e por as dores serem constantes, os pais continuavam a anestesiar Benjamim com várias doses de vinho.

Diz o Ministério Público que Emanuel e Cláudia sabiam que, ao cortar o prepúcio ao bebé sem anestesia, lhe iriam causar fortes dores e lesões. Além disso, a circuncisão de Benjamim já tinha sido desaconselhada ao casal na primeira consulta pediátrica no Centro de Saúde de Marvila, em Lisboa, onde viviam. O pai justificou ao médico que também ele fora circuncidado em bebé e que esse procedimento fazia parte das suas crenças religiosas. Alguns dias depois, foram ao Hospital Dona Estefânia, onde o médico que os atendeu também recusou a intervenção cirúrgica. Logo no hospital, Emanuel revelou à mulher a intenção de fazer a circuncisão em casa, tal como veio a fazer, a sangue-frio.

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