A ministra da Educação aproveitou a apresentação, ontem, do projecto ‘Escola a Tempo Inteiro’, destinado ao 1.º Ciclo, na EB 1 da Viscondessa, em Santa Cruz do Bispo, Matosinhos, para enfatizar a importância do estudo acompanhado no novo plano. Tal medida, no seu entender, irá fazer das escolas um local mais “igualitário”, porque os trabalhos para casa (TPC) são um “meio reprodutor de desigualdades”.
“Os trabalhos para casa devem ser feitos na escola, de forma autónoma, mas com o auxílio dos professores. É um esforço que se exige das escolas para que elas sejam mais igualitárias ”, disse Maria de Lurdes Rodrigues.
José Sócrates, que contou com uma claque organizada de alunos entoando o seu nome, acompanhou a ministra na divulgação do plano e afirmou que esta “não está sozinha” e elogiou a “inteligência”, “visão de futuro” e “serenidade” com que está a enfrentar os críticos.
O primeiro-ministro disse ainda que as escolas devem “prestar contas” e “saber o que os seus ‘clientes’ dizem” porque só assim, “ouvindo elogios e críticas”, se pode chegar à Escola que o País deseja.
Reconhecendo que o 1.º Ciclo tem sido um pouco marginalizado em relação a outros níveis de ensino pelos sucessivos governos, Sócrates chamou a atenção para a acção governativa no domínio da Educação. Destacou o Inglês no básico, as refeições em todas as escolas, a manutenção dos corpos docentes por três anos e o fecho de escolas com menos de dez alunos.
A EB1 de Viscondessa, com 194 alunos, é uma escola-piloto do programa ‘Escola a Tempo Inteiro’ e desde o princípio do ano que pôs em prática o plano agora apresentado pela ministra da Educação.
“Os meninos fazem jogos, aprendem música, fazem peças de teatro e os TPC. Até há um mês era duas vezes por semana e agora é todos os dias”, disse Hélder Queirós, presidente da Associação de Pais, segundo o qual estas actividades “tiveram excelentes resultados, que agora devem ser alargados”.
As propostas de adesão ao programa de desenvolvimento de actividades de enriquecimento curricular deverão ser entregues nas Direcções-Regionais de Educação até 15 de Agosto. O Inglês e o estudo acompanhado serão obrigatórios, em conjunto com mais duas actividades – Música, Desporto ou outras.
O ÚLTIMO PASSO NA REVOLUÇÃO
O primeiro-ministro José Sócrates considerou que foi dado o “último passo na revolução do ensino básico”. Na Escola de Viscondessa, Sócrates encontrou um globo terrestre, onde indicou o país para onde têm estado viradas as atenções da diplomacia portuguesa: Timor.
O QUE PENSAM OS AGENTES EDUCATIVOS
PAULO SUCENA - FENPROF
“O Governo prepara-se para entregar à iniciativa privada aspectos essencias do currículo do 1º Ciclo. Esta opção prejudica a qualidade da educação, a organização das escolas e subalterniza os professores. É uma concepção conservadora, próxima da que foi desenvolvida pelo salazarismo”.
MARIA JOSÉ VISEU - CONFAP
“A partir de agora, os meninos deixam de levar os TPC para fazer em casa, o que permite às famílias mais tempo para as brincadeiras com as crianças. O Desporto Escolar é um importante complemento, porque é uma novidade na formação dos alunos”.
JOÃO DIAS DA SILVA - FNE
“É necessário criar condições para que esta oferta possa acontecer, admitindo que algumas escolas, que estão a funcionar em regime de desdobramento, não têm condições de se poder concretizar. O Ministério tem de disponibilizar pessoas com formação adequada”.
'NÃO ME CHOCA A AVALIAÇÃO'
Elmano Santos, prof. secundário e árbitro
Correio da Manhã – Os pais devem avaliar os professores?
Elmano Santos – Não me choca que os pais possam avaliar, mas não poderá ser o principal item de avaliação de um professor.
– Julgo que os pais, normalmente, estão mais preocupados com os resultados dos filhos, com o produto final, e não com o processo educativo dos seus filhos. Estão cada vez mais distanciados da educação dos filhos. Alguns pais poderão ter capacidade para avaliar o professor, outros nem por isso. É preciso saber bem o que é que vão avaliar e como é que o fazem. Poderão participar através das associações de pais, por exemplo, mas ainda é um processo que só agora está a ser discutido e penso que ainda vai haver alterações antes de ser implementado.
– Deve haver avaliação externa do trabalho dos professores?
– Concordo. Mas tem de se conhecer com rigor quais são os pressupostos e quem poderão ser os avaliadores externos. Tem de haver uma certa ponderação, bem planeada. Poderá ser uma parte da avaliação dos professores.
'AVALIAÇÃO FOMENTA O DIÁLOGO'
Rogério Alves, advogado, filhos no 3.º e 5.º
Correio da Manhã – Os pais devem avaliar os professores?
Rogério Alves – Acho útil que os pais tenham intervenção no processo educativo dos filhos. Sendo elemento essencial na avaliação da qualidade, não significa que seja determinante. Fomenta o diálogo entre os elementos do processo educativo.
– Quais os critérios que podem ser avaliados pelos pais?
– Podem avaliar a qualidade pedagógica do professor e a forma de se relacionar com o aluno. O pai só sabe se o professor tem competência e qualidade falando com o filho e com outros pais. A escola deve utilizar essa opinião, pois por vezes um professor com muitos conhecimentos pode não saber lidar com alunos. O processo de avaliação não deve ser um tribunal, mas uma co-responsabilização de pais e professores. Pode ser útil para corrigir comportamentos errados, enriquecer o contacto entre os alunos e os professores.
– Sente-se com capacidade para avaliar?
– Não. A minha mulher certamente que se sentirá com mais capacidade (risos).
AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS PROFESSORES
O QUE DIZ O ESTATUTO DA CARREIRA DOCENTE AVALIAÇÃO ORDINÁRIA
- No ano anterior à mudança de escalão. O docente apresenta relatório ao órgão de gestão da escola. É atribuída menção de Satisfaz. Pode requerer a atribuição de Bom por uma comissão de avaliação. Menção Não Satisfaz é atribuída por comissão regional, sob proposta da escola
AVALIAÇÃO EXTRAORDINÁRIA
- O docente com Bom pode requerer avaliação extraordinária. Pode ter Bom ou Muito Bom (bonifica dois anos para progredir)
AVALIAÇÃO INTERCALAR
- Docente com Não Satisfaz pode requerer uma avaliação intercalar
O QUE É AVALIADO
- Serviço distribuído, cargos desempenhados, relação pedagógica com os alunos, participação em projectos, assiduidade
PROPOSTA DO MINISTÉRIO
- Avaliação anual
- Pais avaliam (individualmente)
- Conselho de Docentes avalia as actividades lectivas. A Direcção Executiva avalia assiduidade, resultados dos alunos, taxas de abandono escolar. Apreciação dos pais. Comissão de Coordenação valida classificação
- Atribuição de Excelente, Muito Bom, Bom, Regular ou Insuficiente
- Excelente ou Muito Bom: progride, prémio de desempenho. Dois Excelente seguidos: reduz um ano para acesso à categoria de professor titular. Dois Muito Bom seguidos: reduz seis meses. Bom: progride normalmente. Regular: tempo conta, não sobe de escalão. Insuficiente: o tempo de seviço não conta para a progressão
VAGAS NO SUPERIOR MANTÊM-SE IGUAIS
O número de vagas para o ensino superior público não deverá aumentar para o próximo ano. O ‘Diário Económico’ noticiou ontem que o Governo pretende congelar as vagas (46 399), invocando para tal o “combate ao desperdício” e a necessidade de garantir o “equilíbrio global da rede”. As excepções são Medicina e Enfermagem, que poderão ter um aumento de dez por cento de novos lugares.
Em Ciências, Tecnologias e Artes não será permitido reduzir vagas. O gabinete do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior disse ao CM que “o processo ainda está a ser avaliado, não há qualquer decisão final”.
Em 2005 concorreram 45 606 alunos às 46 399 vagas – 9274 ficaram por preencher após a segunda fase de candidaturas. O número de candidatos deverá baixar ainda mais este ano. “Não faz sentido que se permita a criação de mais vagas, o que é necessário é aumentar o número de candidatos”, considera Luciano de Almeida, presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, concorda com o aumento do número de vagas nos cursos de Medicina, mas considera necessário aumentar o investimento público no sector.
Recorde-se que no passado fim-de-semana cerca de mil estudantes portugueses realizaram as provas de acesso ao ensino superior espanhol, a maior parte dos quais vão candidatar-se a cursos de Medicina em Espanha.
PETIÇÃO A FAVOR DO LATIM
Objectivo: restabelecimento de condições que permitam a todos os jovens a possibilidade de estudarem as línguas e as culturas clássicas – latim e grego – em todos os níveis de ensino.
Para já, a petição ‘Em Favor das Línguas Clássicas em Portugal’, disponível em www.petitiononline.com/classici/petition.html, já tem mais de 3450 assinaturas, entre as quais as da arquitecta Helena Roseta, do escritor Jacinto Lucas Pires ou do psiquiatra Daniel Sampaio.
Promovida pela Associação Portuguesa de Estudos Clássicos e pelos departamentos de Estudos Clássicos das universidades de Coimbra e Lisboa, a petição será entregue ao Governo.
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