"O que está em causa é a obrigatoriedade de trabalhar todos os sábados durante dois anos", acrescentou Eduardo Florindo, coordenador do Sitesul.
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Os trabalhadores da Autoeuropa confirmaram esta segunda-feira a rejeição dos novos horários e a manutenção da greve marcada para quarta-feira, nos plenários realizados nos turnos da manhã e da tarde, disse à agência Lusa fonte sindical.
"Os cerca de 3.000 trabalhadores que participaram nos dois plenários aprovaram hoje, por maioria, apenas com sete abstenções e um voto contra, uma resolução que confirma a rejeição dos novos horários e a manutenção da greve marcada para dia 30 de agosto [quarta-feira]", disse Eduardo Florindo, coordenador do Sitesul - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul.
"O que está em causa é a obrigatoriedade de trabalhar todos os sábados durante dois anos", acrescentou o sindicalista.
Segundo Eduardo Florindo, com os novos horários que a empresa pretende implementar, "cada trabalhador só teria direito a gozar dois dias de folga consecutivas de três em três semanas, quando, a juntar ao dia de folga fixa, domingo, a folga rotativa fosse ao sábado ou à segunda-feira.
O coordenador do Sitesul garantiu ainda que os trabalhadores não receiam uma eventual deslocalização da produção do novo veículo T-Roc e considera que algumas declarações nesse sentido "constituem apenas uma forma de pressão".
"Não temos esse receio, até porque grande parte do investimento na Autoeuropa para a produção do novo veículo foi feito com dinheiro do governo português. Quando negociaram esse acordo de produção os trabalhadores da Autoeuropa também deviam ter sido ouvidos. Neste momento já se fala que, durante eventuais picos de produção, os trabalhadores, além dos sábados, poderão também ser chamados para trabalharem ao domingo", acrescentou.
No passado mês de julho, 74,8% dos trabalhadores da Autoeuropa votaram contra os novos horários que tinham sido negociados previamente entre a administração da fábrica de Palmela e a Comissão de Trabalhadores.
Para além do trabalho em três turnos, o acordo previa também o trabalho ao sábado, mediante uma compensação financeira de 175 euros mensais e mais um dia de férias e outras regalias previstas na legislação de trabalho para o trabalho por turnos.
Face à decisão dos trabalhadores no passado mês de julho, de avançarem para a greve, a Comissão de Trabalhadores apresentou de imediato o pedido de demissão e esta segunda-feira mesmo anunciou a realização de novas eleições para o dia 3 de outubro.
A administração da Autoeuropa considera que o trabalho ao sábado é necessário para garantir a produção prevista do novo veículo T-Roc, atribuído este ano pela Volkswagen à fábrica de Palmela.
Em comunicação enviada no passado mês de julho aos funcionários da Autoeuropa, o responsável pelos Recursos Humanos e Produção da Volkswagen, Jürgen Haase, lembrou que a empresa tinha investido muito dinheiro para produzir o novo veículo T-Roc na fábrica de Palmela e para a necessidade de três turnos e trabalho aos sábados para assegurar os níveis de produção previstos.
Contactada pela agência Lusa, fonte da empresa adiantou que a administração da Autoeuropa só deverá voltar a pronunciar-se sobre o conflito laboral após a greve marcada para a próxima quarta-feira, dia 30 de agosto.
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