Tráfico de seres humanos é risco em Portugal

A presidente da Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, Margarida Medina Martins, alertou nesta quinta-feira que há muitos cidadãos "invisíveis" a viver nas cidades "em condições quase infra-humanas" e que poderão estar a ser vítimas de redes de tráfico de seres humanos.

20.10.11
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Tráfico de seres humanos é risco em Portugal
Cada vez há mais vítimas que são homens Foto Ricardo Cabral

"Há um nível de invisibilidade de cidadãos em Lisboa que é um bocadinho assustador e que não acreditamos que o Censos tenha vindo resolver", alertou Margarida Medina Martins no seminário europeu sobre 'Prostituição e tráfico de seres humanos para fim de exploração sexual', a decorrer em Lisboa.

Todos os potenciais instrumentos que existem em Portugal "terão que ter em conta esta realidade da invisibilidade de muita gente que está nas cidades, a começar por Lisboa, possivelmente em condições quase infra-humanas e que está potencialmente sequestrada", salientou.

Em reunião com as juntas de freguesia antes da realização do Censos, Margarida Martins ouviu relatos de técnicas, segundo as quais há uma diferença substancial entre as pessoas que estão registadas e a realidade no terreno. 
 
Como presidente da Associação Mulheres Contra a Violência, Margarida Martins disse que, pontualmente, tem conhecimento de pessoas que estão a ser traficadas, mas os casos não estão a chegar aos serviços, nem às entidades especializadas.

"Há uma consciência política da invisibilidade de que há muita coisa a acontecer", informou, acrescentando que "há muitas coisas que estão a acontecer nas estradas, nas pensões, nas ruas que nós, enquanto sociedade, não estamos ver. Estamos se calhar a ser muito flexíveis, muito conciliadores ou pouco conscientes. De facto, se calhar aquelas pessoas estão a ser traficadas", alarmou a presidente.

Presente no seminário, a presidente da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, Teresa Fragoso, disse que a diferença entre a realidade observada e os dados oficiais é "um enorme desafio".

A exploração laboral foi o principal motivo para que, em 2010, fossem registadas mais vítimas masculinas que femininas do crime de tráfico de seres humanos, segundo o relatório do Observatório.

Para Teresa Fragoso, estes dados resultam do facto do crime de exploração laboral ser o que tem mais visibilidade e, por isso, surgem mais homens sinalizados e confirmados.

Joana Daniel-Wrabetz, do Observatório de Tráfico de Seres Humanos, por sua vez referiu que "Portugal é um país de origem, trânsito e destino de pessoas traficadas".

Entre 2008 e 2011, 435 pessoas foram sinalizadas, das quais 91 foram confirmadas como vítimas de tráfico de seres humanos, das quais 57% eram mulheres.

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