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Transparência aguarda TC para divulgar clientes da Spinumviva e aplicará decisão a casos idênticos

Em causa estão os acórdãos nos quais o TC rejeitou apreciar o recurso interposto pelo primeiro-ministro para impedir a inclusão dos clientes da sua empresa familiar Spinumviva.

17 de março de 2026 às 09:52

A Entidade para a Transparência (EpT) esclareceu esta terça-feira que aguarda a notificação dos acórdãos do Tribunal Constitucional (TC) para publicar a lista de clientes da Spinumviva e assegurou que aplicará o mesmo procedimento a outros titulares em situação idêntica.

Numa resposta escrita a perguntas enviadas pela Lusa, a Entidade para a Transparência - órgão responsável por fiscalizar as declarações de interesses de titulares de cargos políticos e altos cargos públicos - refere que, "logo que seja notificada dos acórdãos proferidos pelo Tribunal Constitucional", desenvolverá "de imediato diligências no sentido de garantir que ficam disponíveis (...) todos os elementos solicitados" nas declarações únicas apresentadas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.

Em causa estão os acórdãos de 19 de fevereiro e 12 de março, nos quais o TC rejeitou apreciar o recurso interposto pelo primeiro-ministro para impedir a inclusão dos clientes da sua empresa familiar Spinumviva, que pertence agora aos seus filhos, na declaração única de rendimentos, património e interesses.

A Entidade para a Transparência acrescenta que "a mesma conduta será seguida relativamente a todos os titulares que se encontrem em situação análoga", porém não detalha o número de casos semelhantes.

A Transparência ressalva ainda que a lei permite aos titulares oporem-se ao acesso, total ou parcial, aos dados constantes das declarações, invocando a salvaguarda de interesses de terceiros ou a reserva da vida privada.

Nesses casos, acrescenta a EpT, a lei determina que "o acesso aos elementos sobre os quais recaiu a oposição e a sua eventual publicitação ficam suspensos até decisão final do respetivo processo".

Questionada, posteriormente, sobre se o primeiro-ministro poderá apresentar um novo pedido de oposição à consulta de dados da sua declaração única, a Transparência refere que essa é uma possibilidade de qualquer titular de cargo público, "independentemente de ter, ou não, interposto recurso para o Tribunal Constitucional".

"Nos casos em que tal pedido seja deduzido, a Entidade para a Transparência formará a sua apreciação e decisão, que será notificada ao titular em causa", acrescenta a EpT na mesma resposta.

Sobre quem são os titulares de cargos públicos que terão novos dados na sua declaração única na sequência da decisão do Tribunal Constitucional, a Entidade para a Transparência diz que não pode "adiantar publicamente mais informações sobre casos ou titulares concretos".

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