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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Tribunal da Relação de Lisboa liberta membro do PCC

Buraco legal extinguiu prisão preventiva de Ygor Zago, "Hulk", que era procurado no Brasil por associação criminosa e ligação ao Primeiro Comando da Capital.

27 de maio de 2026 às 12:01
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Tribunal da Relação de Lisboa liberta membro do PCC

O Tribunal da Relação de Lisboa (TRL) ordenou, esta quarta-feira, a libertação de Ygor Zago, um traficante de droga brasileiro com ligações à estrutura criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Detido em novembro de 2025 à ordem de um mandado de captura internacional, o suspeito usou todas as vias legais para evitar a extradição, conseguindo a libertação devido a um buraco na lei portuguesa, como explicou o TRL.

Em novembro de 2025, o Tribunal da Relação de Lisboa ordenou a sua prisão preventiva. Ao mesmo tempo, porém, Ygor avançou com um pedido de asilo Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), o qual foi recusado. O cidadão brasileiro interpôs recurso da decisão para o Tribunal Administrativo que, até à data, não decidiu.

De acordo com uma nota do TRL, segundo a Lei, legais, “a pendência de um processo de asilo determina a suspensão dos termos da entrega no processo de extradição até à decisão sobre o pedido de asilo”. Contudo, não está previsto na legislação que, enquanto o processo de concessão de asilo não está terminado, o prazo da prisão preventiva fique suspenso.

Isto levou a que os tribunais portugueses não pudessem extraditar “Hulk” para o Brasil. Por outro lado, o prazo máximo da prisão preventiva do cidadão brasileiro termina hoje, quarta-feira, 27 de maio.

“Ante o vazio legal sobre as consequências da formulação de pedido de asilo sobre o prazo de detenção de uma extradição, e na senda de jurisprudência do STJ, o Tribunal

da Relação de Lisboa entendeu que o visado não pode permanecer detido por mais tempo do que aquele que a lei prevê para o processo de extradição (ou seja, 20 dias após o trânsito em julgado da decisão de extradição)”, referiu o TRL.

“Hulk” está referenciado pela justiça brasileira como um dos maiores traficantes de droga internacionais, tendo sido condenado a 29 anos de prisão em 2014 pelo envolvimento num esquema transatlântico entre o PCC (Primeiro Comando da Capital) com a máfia dos Balcãs. Foi preso em 2021, mas ficou sempre em liberdade. Em 2023, percebeu-se que era também o principal responsável pela lavagem de dinheiro do PCC no esquema do ‘metanol’ – uma fraude de muitos milhões de euros depois de a organização criminosa se apoderar de grande parte do mercado de combustíveis no Brasil e que levou a – onde este químico era acrescentado de forma fraudulenta à gasolina.

Esta segunda-feira, saiu em liberdade, ainda que sem o passaporte, proibido de se ausentar para o estrangeiro e obrigado a apresentações diárias na PSP de Cascais, área da sua residência conhecida em Portugal.

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