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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Tribunal decreta suspensão de funções dos funcionários da Comissão dos Vinhos Verdes detidos por corrupção na produção

Suspeitos ficaram também proibidos de contactos entre si e com os demais arguidos no processo.

05 de dezembro de 2025 às 18:04

O tribunal decretou esta sexta-feira a suspensão de funções dos funcionários da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) detidos por alegado favorecimento a empresários em 2025, na sequência da operação Puro Verde da PJ, disse fonte judicial.

Segundo o Tribunal de Instrução Criminal do Porto, onde foram esta sexta-feira ouvidos em primeiro interrogatório, aos quatro funcionários da Divisão de Fiscalização e Controlo da CRVV detidos foi dada a informação de que irão ser suspensos bem como as medidas de coação de proibição de contactos entre si e com os demais arguidos no processo.

Das medidas de coação, consta ainda a prestação de cauções pelos quatro empresários detidos no âmbito da mesma operação, ficando um deles também sujeito à obrigatoriedade de apresentações periódicas às autoridades, indicou à Lusa fonte judicial.

Na quarta-feira, foram realizadas pela Polícia Judiciária (PJ) do Porto 21 buscas domiciliárias e não domiciliárias, incluindo na sede da CVRVV, no Porto, estando em causa "um alegado esquema de conluio entre funcionários da comissão e empresários do setor vinícola, com vista ao favorecimento destes, designadamente, mediante a omissão dos deveres de fiscalização da origem e trânsito das uvas e seu depósito em adegas e produtores durante a vindima de 2025".

Foram detidos quatro funcionários da Divisão de Fiscalização e Controlo da CVRVV e quatro empresários do setor de produção e distribuição de vinhos verdes, tendo ainda sido constituídos arguidos "17 pessoas singulares e coletivas e apreendidos bens em espécie e numerário".

A investigação teve origem numa denúncia anónima e o objetivo dos suspeitos seria "beneficiar certos operadores económicos através da oferta e aceitação de vantagens, tanto em bens como em dinheiro", e "visou detetar e recolher provas sobre o esquema referido, confirmar se houve violação das regras da certificação e impedimento do reforço da fiscalização, vindo as práticas detetadas a mostrar-se complexas e de muito difícil deteção não obstante os esforços da Direção da Comissão e de operações especiais de fiscalização conduzidas pela GNR e ASAE".

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