page view

Uma pessoa detida por agressão a funcionária de creche em Lisboa

Pais protestavam contra a existência de indícios de maus-tratos físicos e psicológicos aos filhos.

09 de fevereiro de 2026 às 18:09
A carregar o vídeo ...

Uma pessoa detida por agressão a funcionária de creche em Lisboa

Uma pessoa foi detida após ter agredido a funcionária de uma creche, na freguesia de Carnide, em Lisboa, durante um protesto de pais que alertavam para a existência de indícios de maus-tratos físicos e psicológicos aos filhos.

Em comunicado, o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP explica que interveio junto à creche por ter tido conhecimento de uma concentração de cidadãos que se manifestavam contra as funcionárias do estabelecimento de ensino.

A ação policial teve início pelas 07h30, após ter sido comunicada às equipas do Programa Escola Segura a realização da manifestação de cerca de 40 encarregados de educação em frente à creche.

A denúncia indicava que o protesto, "motivado por suspeitas de maus-tratos a crianças, já teria resultado em danos na porta da instituição e em agressões físicas ao proprietário".

Esta manhã, pais e familiares de crianças que frequentam a Academia Sonhar e Crescer manifestaram-se, impedindo a entrada dos menores na creche.

Durante o protesto, uma das funcionárias da creche, ao tentar aceder ao local de trabalho, foi agredida por uma das manifestantes, que foi de imediato detida e será ainda esta segunda-feira presente a interrogatório judicial.

Os agentes da PSP verificaram no local a presença de familiares que exibiam cartazes com imagens de alegados ferimentos sofridos pelos menores, atribuídos a funcionárias da creche.

Em comunicado, a PSP reiterou que, "embora compreenda as preocupações das famílias, a resolução de conflitos e a denúncia de crimes devem seguir os trâmites legais e institucionais, apelando à manutenção da ordem pública e à confiança nas instituições de justiça".

A PSP iniciou de imediato uma investigação sobre as denúncias de maus tratos a crianças naquela instituição, em plena articulação com o Ministério Público (DIAP Lisboa).

Durante a manhã, Francisco Cavaneiro, pai de um menino que está prestes a fazer 2 anos e que, na semana passada, terá sido agredido por uma funcionária da creche, sofrendo um traumatismo craniano, foi um dos participantes na manifestação.

"Estamos aqui na creche, os pais todos, já saíram duas funcionárias e o dono está lá dentro. Uma das funcionarias é a agressora. Já fizemos uma participação na PSP, ao Departamento de Investigação e Ação Penal, Comissão de Proteção de Jovens e Crianças, e agora vamos para a investigação criminal", disse Francisco Cavaneiro à Lusa.

De acordo com este pai, o filho entrou no estabelecimento com "seis, sete meses" e nunca, até agora, tinha desconfiado do que se podia passar entre portas.

"O meu filho foi alegadamente agredido, viemos a confirmar pelo testemunho de uma ex-funcionaria que nos contou tudo", disse à Lusa, explicando que, na semana passada, a criança teve de ir ao Hospital da Luz, onde lhe foi diagnosticado um traumatismo craniano.

Uma outra mãe, Sofia Guedes, contou à Lusa que a sua filha apenas esteve "cerca de um mês na creche, em 2022", quando ainda se vivia sob a pandemia covid-19 e não foi além do período de adaptação.

"Chegou a casa com a orelha pisada. Questionámos a escola e disseram que tinha sido outra criança. Na altura, não conseguíamos falar com outros pais, mas mandámos um email a apresentar queixa", disse Sofia Guedes.

Agora, disse que os pais falaram e deram conta de que "as desculpas eram sempre as mesmas, tinham sido as outras crianças a empurrar, a morder, a pisar".

"Veio tudo à tona. Temos uma ex-funcionaria do nosso lado que contou o que aconteceu" na creche, que funciona desde o berçário até aos 3 anos.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8