page view

"Vi um carro a vir e a levar o meu amigo": jovem atropelado após uma rixa num clube noturno em Valongo

Jean Mark, de 18 anos, foi atropelado após uma rixa. Morreu seis meses depois e o condutor está agora a ser julgado.

17 de setembro de 2026 às 15:11

Quase sete anos após o atropelamento, Jorge Vieira, de 29 anos, começou a ser julgado esta quinta-feira no Tribunal de São João Novo, no Porto. É acusado de ter provocado a morte de Jean Mark, de 18 anos, após uma rixa num clube noturno, em Valongo. Os factos remontam à noite de 3 de outubro de 2019. A vítima - conhecida pela alcunha de 'Jamaica' - dirigia-se já para apanhar um Uber quando foi colhida violentamente pelo carro conduzido pelo arguido. Morreu seis meses depois no hospital. O arguido em silêncio nesta primeira sessão. "O que eu vi foi um carro a vir de lanço e levou o meu amigo. Eles vinham com muita força. Eu vi o meu amigo a voar, foi o que eu vi. Ele depois caiu no meio do mato, do lado esquerdo. Era este senhor que aqui está que ia a conduzir, ele bate no meu amigo e eles nem pararam, fugiram", contou Miguel Teixeira, um dos amigos que acompanhava Jean.

Esta testemunha relatou que Jean seguia na berma, mas um outro amigo afirmou que já iria a atravessar a estrada - que tinha duas faixas de rodagem - uma vez que viu o carro a alta velocidade. "Da maneira que o carro vinha ele ia a mais de 100 km/hora. Isto foi de propósito, com tanto espaço na estrada e foi em direção ao 'Jamaica'. Ele (condutor) tinha tempo de se desviar dele", relatou Miguel Teixeira, outro amigo.

'Jamaica' tinha sido pai cinco meses antes do atropelamento. Esteve quatro meses em coma e mais dois em estado vegetativo. Morreu já no hospital de Paredes, para onde foi transferido. "Já foi demasiado tempo sem respostas, queremos acima de tudo que seja feita Justiça. A minha filha teve de crescer sem pai, não há explicação para o que aconteceu", afirmou Cristiana Sousa, companheira de Jean.

O juiz-presidente fez questão de pedir desculpa por só sete anos depois o caso ser levado a julgamento. Explicou o magistrado que se trata de um caso complexo, com muitas perícias a realizar, e que a pandemia de Covid-19 atrasou também o andamento do caso. Jorge Vieira está preso, mas em cumprimento de pena por um crime de tráfico de droga. Neste processo responde por homicídio por negligência grosseira, omissão de auxílio e condução sem carta. 

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Bom Dia

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a sua rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8