Cerca de 11 por cento dos profissionais do sexo na região Norte do País são homens, requisitados maioritariamente por outros homens, mas também por mulheres. Dirceu Costa, de 22 anos, o ‘Puto Lindo’, e Marcos António, de 25, o ‘Garanhão do Sexo’, vivem com os seus namorados, mas, garantem ao CM, vendem serviços sexuais a mulheres de classe média ou média alta e nunca as deixam ficar mal.
Musculado, com 1,80 de altura, Marcos é mais solicitado por senhoras de meia-idade, casais e mulheres sadomasoquistas. Tem clientela fixa todos os dias da semana. Nem precisa de anunciar-se nos jornais e na internet. Diz que as clientes, depois de algumas das suas carícias, ficam de tal maneira enlouquecidas que nem se lembram de pedir o preservativo. Mas ele não dispensa. “Nada paga a saúde.”
Marcos – tal como Dirceu, um ‘nome artístico’, escolhido para preservar a identidade dos rapazes – diz que “a maioria das relações tem pouca exigência”. O serviço rotineiro – carícias, penetração, orgasmo(s) da mulher – durante uma hora custa 60 euros. Por cada 15 minutos extra, a cliente paga mais 25. Magoar ou ser magoado só a troco de 300 euros. Despesas de táxi, para transporte ao local combinado, são pagas à parte. O sexo ocorre, segundo contam, em hotéis, residenciais, locais de trabalho das mulheres ou na residência do gigolô. Nenhum dos dois foi alguma vez chamado à casa da cliente.
Quem paga os serviços são mulheres entre 25 e 60 anos, “carentes”, grande parte casadas e as mais novas insatisfeitas com relações anteriores. Em alguns casos é o marido a chamar o ‘garoto de programa’ – Marcos e Dirceu são brasileiros –, porque já não tem erecção e a esposa precisa de sexo.
OUTRA REALIDADE
Psicóloga da Liga Portuguesa para a Profilaxia Social, Andreia Ribeiro lida com um tipo de prostituição masculina diferente, mas predominante: a dos homens, travestis e transexuais que vendem o corpo a outros homens, preferidos às mulheres. Fazem-no, tal como Marcos e Dirceu, para ganhar dinheiro, que amealham na esperança de poderem financiar uma operação de mudança de sexo.
José Pacheco, Soc. Port. Sexologia Clínica: “Maioria dos prostitutos também
é solicitada por homens”
Correio da Manhã – Pode um homem que ama outro ser um ‘garanhão’ com as mulheres?
José Pacheco – Não é a regra, mas acontece. Na prostituição feminina também há dissociação entre a relação afectiva e a relação comercial.
– Quer dizer que os homens também representam o prazer que não sentem?
– Sim, os homens podem fingir que ejaculam. E é possível que a ejaculação ocorra separada do orgasmo. O homem pode ejacular e nada sentir.
– A ejaculação é apenas uma questão de concentração?
– Nesta circunstância, as relações com as mulheres são comerciais e o prazer é reservado aos companheiros. Mas, embora não conheça os casos em apreço, os homens que prestam serviços a mulheres também são solicitados por outros homens. Destacam os desempenhos sexuais com mulheres, mas acabam por admitir que são solicitados por homens.
– O corpo do homem pode tornar-se uma máquina sexual, como alegam os gigolôs?
– A maior parte tem período refractário a seguir ao sexo, mas outros têm erecções facilmente. Já encontrei alguns capazes de passar o dia inteiro a manter relações sexuais. Só não o faziam porque as companheiras recusavam. Mas claro que o desempenho também faz parte do discurso de alguém que quer valorizar o que pretende comercializar.
– Com recurso a químicos para aumentar a potência?
– Depende das pessoas. Também há prostitutos que para se excitarem vêem filmes pornográficos.
MARCOS ANTÓNIO, 'GARANHÃO DO SEXO', AVEIRO
Era mau para a minha saúde, porque por vezes me sentia fraco. Mentalizei-me que a relação era apenas uma transacção comercial – ela dava-me dinheiro e eu retribuía com o prazer. sobre o tempo em que tinha “vários orgasmos por dia”
Muitas vezes finjo que tenho prazer, utilizando o esquema de esconder o preservativo com papel para ela não ver que está sem esperma. Quando pagam para me ‘ejacular ao vivo’, faço um esforço, mas consigo sempre. É uma questão de concentração. sobre orgasmos fingidos
A mulher tem 60 anos, conservada. O marido mais dez, cansado do trabalho. É sempre ele que chama. Assiste, feliz, a ver que a esposa ainda é fogosa. sobre um casal de ‘clientes de Coimbra’
O que há a discordar é pelo telefone e muitas vezes a relação não avança. No quarto não existe lugar à discussão. Só carinho e sexo à vontade da mulher. sobre as ‘negociações’
Quer ser saciada, pedindo todas as posições e mudança de preservativo para cada situação. sobre outra ‘cliente’, de ‘trato fino e requintado’
DIRCEU COSTA, 'OUTO LINDO', PORTO
Temos de usar preservativo, mas grande parte delas parece estar a leste. Após algumas carícias, querem é ser fornicadas de todas as maneiras. sobre quem exige as precauções
A maioria das relações é simples. Não querem sexo oral, nem fazê-lo. sobre preliminares
Uma pequena percentagem pede sadomasoquismo: amarradas, agredidas, queimadas com velas quentes na pele. O preço aumenta, porque é doloroso bater e queimar mulheres lindas. Mas elas pagam para isso. sobre taras
Por não ter sexo constante com um homem, quando tem quer que seja profundo e variado. Se não me tivesse dito que era lésbica, eu não teria acreditado, tal a fogosidade que a relação atingiu. sobre um ‘serviço especial’
Nunca precisei de tomar qualquer medicação para ter uma erecção forte. Sexo com mulheres é dinheiro, sou capaz de estar horas com elas que se não quiser não ejaculo. sobre capacidades de desempenho
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